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Inadimplentes recorrem ao crédito consignado

O principal destino do crédito consignado é o pagamento de dívidas. Isso é o que revela uma pesquisa feita pela Cetelem, financeira do BNP Paribas, com os clientes que têm financiamento consignado. A pesquisa mostra que 17% dos entrevistados declararam que buscaram essa linha de crédito para cobrir despesas com saúde, 21%, para gastar na […]

Arquivo Publicado em 24/06/2013, às 10h52

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O principal destino do crédito consignado é o pagamento de dívidas. Isso é o que revela uma pesquisa feita pela Cetelem, financeira do BNP Paribas, com os clientes que têm financiamento consignado. A pesquisa mostra que 17% dos entrevistados declararam que buscaram essa linha de crédito para cobrir despesas com saúde, 21%, para gastar na reforma da casa e 40%, para pagar dívidas.


Foi exatamente esse o destino de parte do empréstimo consignado de R$ 14 mil que o servidor público Marcos Antônio Freitas, de 52 anos, levantou no Banco do Brasil (BB). “Estou fazendo dívida para pagar outra dívida”, diz ele, que está inadimplente em quase R$ 7 mil. A diferença, obtida com o novo empréstimo e a quitação do antigo, será usada na reforma da casa.


No passado, Freitas comprou eletrodomésticos na Casas Bahia e fez despesas de supermercado no Carrefour, usando o cartão de crédito do banco. Os gastos somaram R$ 4 mil. Mas, sem aumento de salário, ele ficou inadimplente. Com juros e multa, a dívida quase dobrou.


O quadro mudou nos últimos meses, quando Freitas teve um reajuste de salário e conseguiu um segundo emprego de vigilante noturno. Com isso, a sua renda aumentou de R$ 1 mil para R$ 4,5 mil. “Decidi regularizar a minha situação”, diz. A primeira providência foi cancelar o cartão de crédito. Em seguida, ele decidiu pegar um crédito consignado. Pelo financiamento de R$ 14 mil, o funcionário público vai ter R$ 440 descontados do salário durante 48 meses.


Desconto


A babá Roseneide Marques, de 40 anos, também está usando o consignado para quitar outras dívidas. Quatro anos atrás, quando estava empregada na prefeitura de Pirapora do Bom Jesus (SP), ela pegou um empréstimo consignado de R$ 2,4 mil com a Caixa para reformar o telhado da casa. Pagou um ano do empréstimo que seria quitado em três, mas ficou inadimplente porque perdeu emprego, já que era contratada.


Agora, como funcionária concursada na mesma prefeitura, Roseneide decidiu buscar um novo empréstimo consignado de R$ 8,4 mil, para pagar a dívida anterior e fazer novamente um conserto na casa. “Fiz um empréstimo consignado novo para quitar um antigo, mas com desconto. Porém, não foi isso que aconteceu”, diz ela. Quando o novo empréstimo entrou na conta, o banco descontou a dívida pendente que estava em R$ 5.165, mas sem cumprir o abatimento que havia sido combinado. “Fui ao Procon porque queria um desconto. Afinal, paguei o empréstimo antigo à vista”, reclama Roseneide.


Com renda mensal de um salário mínimo, ela faz faxina e passa roupa nos fins de semana para completar o orçamento. “Não tenho cartão de crédito nem cheque. Fiz o consignado porque era um crédito mais barato”, diz a babá, decidida a descontar R$ 230 por mês do seu salário por cinco anos para quitar a nova dívida do consignado.


A percepção de que o crédito consignado é mais barato é que tem atraído muitas pessoas para essa linha de financiamento, especialmente os aposentados. Dados do BC mostram que, em 12 meses até abril, as concessões de crédito consignado para beneficiários do INSS cresceram 19,8%. Segundo Jefferson Frauches Viana, diretor do Instituto GEOC, que reúne 17 empresas de cobrança, quem mais está buscando consignado para pagamento de dívidas são os aposentados inadimplentes.


Dois fatores, diz Viana, levaram esse estrato da população a optar pelo consignado. O primeiro é que esse crédito é mais fácil do que os demais, pois já vem pré-aprovado e é descontado no valor da aposentadoria. O segundo é que, muitas vezes, os aposentados socorrem os familiares mais próximos que estão inadimplentes usando a linha de crédito consignado porque esta está mais à mão. “O aposentado tem a ilusão do crédito fácil e não tem a noção exata de quanto deve.”

Jornal Midiamax