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Hospital do Câncer de Dourados pode limitar atendimentos a partir de segunda-feira

Setor de Oncologia alega que está sem receber repasses dos recursos do US desde o mês de setembro de 2012; ACCGD pretende acionar o MP

Arquivo Publicado em 25/01/2013, às 11h44

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Setor de Oncologia alega que está sem receber repasses dos recursos do US desde o mês de setembro de 2012; ACCGD pretende acionar o MP

A direção do setor de Oncologia do Hospital do Câncer de Dourados pretende limitar atendimentos a pacientes de câncer a partir da próxima segunda-feira. A justificativa é que o setor está sem receber repasses de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) desde o mês de setembro de 2012. O montante acumulado, segundo o diretor do setor de Oncologia, o médico Mário Eduardo Rocha, chega a aproximadamente R$ 800 mil.


A situação chegou ao limite neste mês de janeiro. “Existe uma conta de R$ 338 mil com bancos, salários dos médicos, medicamentos e férias de funcionários, que não há como pagar, já que não recebemos os repasses”, afirmou o médico Mário Eduardo Rocha.


Ele explica que os recursos do SUS são repassados mensalmente ao Fundo Municipal de Saúde, que por sua vez faz o repasse a Associação Beneficente Douradense. Esta, por fim, faz o repasse dos recursos ao setor de Oncologia do Hospital do Câncer.


Mário Eduardo diz que tem cobrado sistematicamente todos os repasses atrasados, mas não tem obtido sucesso. O médico disse que foi informado de que o SUS fez todos os repasses ao Fundo Municipal de Saúde e que este por sua vez, teria repassado à Associação Beneficente Douradense, mantenedora do Hospital Evangélico.


Mário Eduardo disse que a partir de segunda-feira vai começar a limitar os atendimentos a novos pacientes, exceto aos que fazem os procedimentos de quimioterapia e radioterapia. Segundo ele faltam medicamentos e insumos e os pagamentos aos fornecedores que garantem o custeio do Hospital estão em atraso, impossibilitando um atendimento eficiente.


A diretora da Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados (ACCGD), Virgínia Magrini, que ficou sabendo da situação recentemente, garante que se o impasse não for solucionado até o inicio da próxima semana vai acionar o Ministério Público, já que os doentes de câncer não podem ficar sem atendimento.


Ela lembra que para construir o hospital foi uma luta de toda a sociedade douradense e cidades da região, com recursos doados e promoções realizadas pela ACCGD por quase seis anos. Atualmente o Hospital do Câncer recebe em média mil pacientes por mês dos 34 municípios que fazem parte da macrorregião de Dourados. Pelo menos 1.600 pacientes fazem tratamento com quimioterapia e radioterapia.


Um dos diretores do Hospital Evangélico, que responde pela Associação Beneficente Douradense, Elieser Branquinho, disse que desconhece os meses em atraso a que se refere o diretor do setor de Oncologia, Mário Eduardo. Porém, ele informou que ontem mesmo fez o repasse do mês de novembro de 2012. Ele disse ainda que o mês de dezembro não foi pago porque depende do repasse do Fundo Municipal de Saúde.

Jornal Midiamax