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Guarda municipal que fugiu da fazenda e virou repórter fotográfico pinta e expõe em MS

Cansado da vida da fazenda, Altair Marques da Silva, 61 anos, hoje guarda municipal, conta que saiu de casa aos 15 anos e foi morar com um tio em Ponta Porã. Ele lembra que não gostava das coisas de vida rural, que queria conhecer mais, aprender outras coisas e por isso decidiu ir embora. “Eu […]

Arquivo Publicado em 02/11/2013, às 13h10

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Cansado da vida da fazenda, Altair Marques da Silva, 61 anos, hoje guarda municipal, conta que saiu de casa aos 15 anos e foi morar com um tio em Ponta Porã. Ele lembra que não gostava das coisas de vida rural, que queria conhecer mais, aprender outras coisas e por isso decidiu ir embora. “Eu não queria mais ficar na fazenda. Acabei brigando com meu pai e fui morar com um tio”, diz.

Na atitude rebelde, ele descobriu o que tanto procurava: a paixão pela fotografia. A novidade foi ensinada pelo tio que era sargento do exército e fotógrafo amador. Ele foi aprendendo, fotografando e se tornou adulto na profissão. Quando viu estava empregado trabalhando como repórter fotográfico.

O primeiro emprego na área foi no Tribuna da Fronteira, em Ponta Porã, com Ivaldo Pereira. Ele conta que foi ali que aprendeu mesmo a profissão. “Eu corria o dia inteiro para lá e para cá. Fotografa e depois revelava as fotos. Aprendi muito”, diz com nostalgia dos velhos tempos.

Mas, o crescimento na carreira e até uma certa autonomia veio quando foi trabalhar no Tribuna Popular em Jardim, com Álvaro Pereira. Do empresário, ele ganhou um laboratório fotográfico. O que precisava para impulsionar a carreira. Altair revela que até hoje tem o laboratório guardado no interior. “É um trambolho. Tá lá guardado”, se diverte.

Voltando à história, conta que não tinha dinheiro para se especializar, pois o material fotográfico na época era muito caro. E foi com a ajuda do amigo e patrão que as coisas começaram a mudar. “O Álvaro me deu o laboratório fotográfico. Aí ficou bom. Fiquei muitos anos trabalhando com ele no Tribuna, até hoje contribuo com fotos”, conta.

Com laboratório próprio, Altair começou a fazer outros trabalhos. Ele mostra uma foto antiga com a técnica de sobreposição. “Esse tipo de foto fui um dos primeiros a começar a fazer. Na época isso era novidade”, diz orgulhoso.

A técnica lembra que aprendeu lendo revistas e livros em inglês, que o filho ajudava a traduzir. O menino, inclusive, é o orgulho do pai. “Tenho quatro filhos. Amo demais todos eles. Mas, o caçula é um orgulho. Estudioso, aprendeu inglês sozinho”, fala satisfeito.

Estudando aqui e ali, ele foi descobrindo outras coisas, até que se interessou também pela pintura. Do novo gosto, Altair fez até exposição e diz contente que em todo o estado tem quadros seus e até no estrangeiro.

“Já fiz exposição e tudo. Vendi muito quadro. Dei muito também. Mas, só gosto de pintar quando estou bravo. Aí pinto que é uma beleza. Quando estou tranquilo, não quero saber de pintura não”, fala.

Pela quantidade de quadros espalhados pela casa, e pela quantidade de fotos dos quadros em álbum que ele retrata as obras, seo Altair deve ser bem nervoso. Apesar de a gente não ter visto isso.

Hoje, Altair trabalha como fotógrafo nas horas vagas, já que prestou concurso para a guarda municipal. Antenado, fez até um blog para divulgar o trabalho. Quem quiser conhecer o trabalho dele é só acessar, finaliza.

Jornal Midiamax