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Filme ‘safadinho’ rende punição a Axe

Cenas simulando sexo a três rendem pedido de sustação e advertência à marca de desodorantes

Arquivo Publicado em 28/03/2013, às 12h13

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Cenas simulando sexo a três rendem pedido de sustação e advertência à marca de desodorantes

O vídeo começa com uma moça gemendo enquanto sua mão aperta a própria perna. Surge, então, outra mulher massageando-a. Ela diz, num quase sussurro: “Eu duvido que você assista esse vídeo até o final”. Revela-se, então, que a dupla veste dois sumários biquínis. Pode até parecer outra coisa, mas é um filme para internet, com 420 mil visualizações, que promove um dos desodorantes da Axe.

Consumidores registraram queixa no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) alegando “sensualidade excessiva”. Em sua defesa, a marca alegou que “esse exagero é característico da marca” – motivo não acatado pela relatora do processo, que considerou que o filme, cujo sugestivo título é “Duas gostosas e um sortudo”, “ultrapassa a respeitabilidade vigente”. Por maioria de votos, o Conar votou pela suspensão do vídeo e advertiu a o anunciante.

Assista ao filme abaixo (que, a despeito da decisão, ainda não saiu do ar). Do meio para o fim, as moças mostram que dependendo da forma como se usa o produto, o jovem consumidor passa a “acumular mulheres e arrumar problemas” – sendo um deles, diz a moça, “dar conta de duas, por exemplo”, apontando para si mesma e para a amiga. No final, a imagem fica borrada e o espectador tem a impressão de que as coisas ficarão “mais quentes”.



Mais casos

Na reunião em que o caso da Axe foi julgado, outros 13 processos foram objeto de avaliação. Entre eles, uma campanha de tom homofóbico, já julgada em 2012, teve a sustação confirmada. Trata-se da campanha veiculada pelo Fórum Pernambucano Permanente Pró-Vida que dizia que o estado “não queria” o “homossexualismo”.

Já o comercial “Peixe”, da Skol, veiculado em 2012 e que trazia um homem urinando em um rio, foi absolvido após ser denunciado por consumidores. As reclamações consideravam a propaganda “ofensiva” por promover um “péssimo exemplo de comportamento”. Skol e F/Nazca S&S alegaram que o tema fora tratado em tom de piada e que, ao final do comercial, o homem que fez xixi se dava mal. O Conar acatou a justificativa. Em sua decisão, o relator afirmou que “bom humor e brincadeira são e devem continuar sendo livremente explorados em anúncios”.

Outro comercial de cerveja absolvido foi o de Ano Novo da Brahma. Por exibir um gorila, o Conar abriu processo para julgar se a propaganda descumpria sua norma que proíbe uso de elementos do universo infantil em campanhas de bebidas alcoólicas. Os conselheiros ponderaram que, naquele contexto, não se configurava um desrespeito às normas por não haver qualquer apelo infantil – e o caso foi arquivado.

Polêmicas em Brasília

Em reunião realizada na sexta-feira 22 em Brasília, o Conar julgou três processos. Num deles, a Nova Schin foi advertida por não respeitar restrições à legislação de bebidas alcoolicas. Um outdoor alusivo ao patrocínio ao festival Planeta Atlântida mostrava elementos relacionados ao evento de música, embora as regras só permitam a exibição da marca, seu slogan e imagem do produto.

Outro caso envolvia o site Ohmybeer.com.br, que foi obrigado a incluir a restrição de acesso a maiores de idade em sua página – outra exigência à comunicação de bebidas alcoólicas.

O processo mais curioso, no entanto, também é “safadinho”: o Conar pediu a sustação de campanha veiculada na traseira de ônibus do Distrito Federal promovendo o Altana Motel. Nas peças, a ilustração de um casal de porcos trazia os dizeres “O orgasmo dos porcos dura até 30 minutos. E você aí se achando… Venha tirar o atraso no Altana Motel”. O anunciante não apresentou defesa e a campanha foi condenada por unanimidade.

Jornal Midiamax