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Ex-salão de famosos deve encerrar 30 anos de história por falta de clientes e profissionais

Salão Real, um dos primeiros 'unissex' de Campo Grande, já atendeu políticos e famosos. Agora, dona quer vender mobília para juntar algum dinheiro e fechar as portas por falta de clientes.

Arquivo Publicado em 05/12/2013, às 19h20

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Salão Real, um dos primeiros ‘unissex’ de Campo Grande, já atendeu políticos e famosos. Agora, dona quer vender mobília para juntar algum dinheiro e fechar as portas por falta de clientes.

Depois de quase 30 anos atendendo de trabalhadores a prefeitos e deputados o Salão Real, localizado na antiga Rodoviária deve fechar as portas. A dona do empreendimento, que já teve mais de dez cabeleireiros atuando diariamente, Amélia Pecci Oliveira, 82 anos, diz que não está nada fácil manter o local aberto.

Ela lembra que desde que a rodoviária mudou de lugar o movimento foi caindo, caindo até que chegou ao ponto de ficar dias sem clientes.

Dona Amélia, que não é cabeleireira, lembra que sempre teve profissionais trabalhando para ela. Mas, com a baixa do movimento até estes correram do lugar. “Não consigo contratar ninguém para trabalhar aqui. Os cabeleireiros preferem os salões centrais. Como eles ganham por comissão é mais vantajoso”, explica.

“Se eu cortasse, eu mesma faria. Mas, sem funcionário não dá nem para ter cliente”, lamenta.

Com nostalgia, ela lembra dos tempos áureos do salão e revela que muita gente poderosa da cidade já se sentou nas cadeiras Ferrante que exibe com orgulho. “Já tive cliente prefeito, deputado. Gente poderosa cortava o cabelo aqui. Hoje é raro quando aparece cliente e quando tem, não tenho como atender”, continua.

Segundo dona Amélia, na época de glória o salão atendia o dia todo. Ela mal dava conta de servir todo mundo. Mas, hoje nem com anúncio no jornal para contratar profissionais consegue alguém para trabalhar. “Pus o anúncio, mas não apareceu ninguém. Veio um homem e ofereceu para comprar os móveis, acho que vou vender e ai descansar”, planeja.

As cadeiras Ferrante, por exemplo, são famosas, e custam cerca de R$ 3 mil cada uma na internet. “Acho que o jeito vai ser vender. Quem sabe consigo algum dinheiro e vou para casa”, diz.

Quem quiser trabalhar no salão ou se interessar pelos móveis, dona Amélia revela que está à disposição para ofertas. “É com muita pena que vou vender isso, mas o que posso fazer?”, finaliza.

Jornal Midiamax