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Espanhol “Branca de Neve” evidencia aspectos mais sombrios do conto de fadas

O drama espanhol “Branca de Neve” parte do famoso conto dos irmãos Grimm, e até segue a maior parte dos elementos do original. Mas esta adaptação sombria está longe de ser um filme infantil. Sem diálogos e em preto e branco, o longa de Pablo Berger (“Da Cama Para a Fama”) ganhou o prêmio Goya […]

Arquivo Publicado em 04/07/2013, às 15h30

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O drama espanhol “Branca de Neve” parte do famoso conto dos irmãos Grimm, e até segue a maior parte dos elementos do original. Mas esta adaptação sombria está longe de ser um filme infantil.


Sem diálogos e em preto e branco, o longa de Pablo Berger (“Da Cama Para a Fama”) ganhou o prêmio Goya – uma espécie de Oscar espanhol – nas principais categorias, entre elas filme e atriz, para Maribel Verdú, que faz uma madrasta má adepta do sadomasoquismo.


Embora possa lembrar o oscarizado “O Artista”, também feito nos mesmos moldes, “Branca de Neve” começou a ser planejado há quase uma década, até que finalmente o diretor conseguisse produtores interessados em financiá-lo. O longa é situado na Sevilha do começo do século passado, e a estética vai ao encontro daquilo que se narra, remetendo à dos filmes daquela época.


Antonio Villalta (Daniel Giménez Cacho) é um toureiro, o mais famoso e adorado da Espanha. Porém cegado por sua vaidade, não percebe que está correndo risco, e quando é ferido fica à beira da morte.


Enquanto isso, sua esposa (Inma Cuesta) dá à luz uma menina e morre. A garota, Carmencita (Sofía Oria), cresce aos cuidados da avó (Ángela Molina). Já o toureiro, que ficou paraplégico, casa-se com a enfermeira interesseira que tratou dele no hospital, Encarna (Maribel Verdú).


Encarna segue uma trajetória de mera enfermeira a rainha malvada, dominando o casarão dos Villalta – trancando o marido no andar superior e tomando o motorista (Pere Ponce) como seu amante.


Com seus olhos grandes e rosto expressivo, a atriz domina o filme, transformando-se no centro da história. Mas encontra rivais à sua altura, primeiro na pequena Sofía Oria e, mais tarde, em Macarena García, que interpreta Carmen quando adolescente.


Com a morte da avó, a menina é mandada para a casa do pai, com quem nunca teve contato. A madrasta a proíbe de subir para o segundo andar. Porém, a menina tanto faz que reencontra o toureiro, solitário numa cadeira de rodas preso a um quarto.


Se, num primeiro momento, há estranhamento entre eles, com o tempo se tornam amigos, e ele lhe ensina técnicas de tourada. Percebendo a situação, Encarna obriga o motorista a matar a menina, mas ele não consegue.


Por uma fatalidade, ela fica com amnésia e acaba adotada por seis (e não sete) anões toureiros, que a chamam de Branca de Neve. Eles próprios, aliás, parecem saídos de um filme de Tod Browning (“Monstros”).


A subversão do cinema de Berger aqui se faz tanto na forma quanto no conteúdo, ao agregar novos valores a uma história tão conhecida. Não chega ao radicalismo do português João Cesar Monteiro, em cujo “Branca de Neve” (2000) a tela ficava preta, sem qualquer imagem, boa parte do tempo.


O que o cineasta espanhol buscou aqui foi o que há de obscuro nessa história que, no fundo, é o embate entre duas mulheres ou entre a pureza e a decadência. O preto e branco da fotografia parece evidenciar os aspectos mais grotescos da história.

Jornal Midiamax