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Epidemia de dengue afeta rotina das pessoas e a economia de Mato Grosso do Sul

Especialistas alertam que a doença influencia em tudo no nosso dia a dia, representando grandes perdas sociais e econômicas

Arquivo Publicado em 22/01/2013, às 19h37

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Especialistas alertam que a doença influencia em tudo no nosso dia a dia, representando grandes perdas sociais e econômicas

Com a epidemia de dengue que assola os campo-grandenses, especialistas afirmam que a doença já está afetando o dia a dia das pessoas e reflete negativamente na economia de Mato Grosso do Sul.


A equipe de reportagem do Midiamax resolveu abordar sobre este tema porque hoje (22), se deparou com uma padaria que estava fechada e o que chamou a atenção foi o motivo. No local, tinha um recado dizendo que o estabelecimento não iria funcionar porque a proprietária estava com dengue. Já que várias pessoas passam por lá todo dia, resolvemos investigar como a doença afeta a sociedade.


“Além dos custos dos tratamentos, o governo gasta mais recursos já que a capital está sofrendo com a epidemia. As autoridades têm que se preocupar com o problema da dengue. Devemos ser mais ágeis para diminuir os reflexos negativos”, destacou Cid Isidoro Demarco Martins, economista de uma empresa de consultoria.


A prefeitura já decretou estado de emergência na Capital, com 9,3 mil notificações da doença até o último domingo (20), para acelerar o combate à doença. Por outro lado, os economistas afirmam que é difícil ter uma estimativa sobre os reflexos da dengue na economia, já que todos os setores são afetados, desde a indústria ao comércio.


“Afeta porque pessoas deixarão de ir trabalhar. Na indústria, por exemplo, diminui a produção. Altera até mesmo na produtividade, porque quem vai trabalhar indisposto não rende. Toda a população, de uma forma geral, é atingida pela epidemia. Por isso é importante a prevenção e conscientização”, destacou Cid Isidoro.


Mercado de Trabalho


Já o economista Áureo Torres, destaca que devido à epidemia muitas pessoas em diversos setores acabam sendo até contratadas, para substituírem quem está doente. Também surgem oportunidades de emprego para fazer limpeza de terrenos e residências.


Mas no geral, segundo Torres, os aspectos são negativos à economia. “Não há estimativa oficial, mas a doença prejudica porque um grande número de pessoas pega licença médica. Até agora são 9 mil casos, imagina o quanto a sociedade não é afetada. Uma dona de casa que, por exemplo, fique doente, a família vai ter que contratar uma cozinheira, ou comprar comida. Há modificações na rotina da família e na economia”, destacou Áureo.


Atendimentos


O médico clínico geral que atua no Posto de Saúde do Vila Almeida e Coronel Antonino, Renato Figueiredo, confirma que a epidemia está lotando os atendimentos. Segundo o médico, são quase 700 casos de suspeita de dengue por dia.


A equipe da área de saúde até apelidou a doença de “febre quebra osso”, por ser uma enfermidade que causa muita dor muscular, febre alta, mal estar e cansaço.


“É um absurdo os casos de dengue, estamos 24h com os postos lotados. Fora que ainda continuam os problemas normais, como acidentes, infartos e outros. É difícil dar vazão a tanto paciente, por mais que tenham outros profissionais reforçando a equipe”, explicou.


Renato Figueiredo contou que tem muitos médicos e enfermeiros também com dengue, resultando na diminuição do atendimento à população. Ele mesmo teve sua rotina alterada em razão da doença.


“Essa doença influencia em tudo, no nosso dia a dia, são perdas sociais e econômicos. Eu tive dengue no período de Ano Novo. Fiquei sete dias em tratamento na minha casa e depois, mais cinco dias, porque tive que me recuperar do cansaço e mal estar”, explicou o médico.


Tratamento


Os médicos informam que quem tem sintomas da doença, geralmente, não consegue realizar nenhuma tarefa. Além disso, as pessoas acabam sendo afastadas das atividades para o tratamento. No mínimo, o paciente com dengue fica de cinco a sete dias em repouso.


Mas de acordo com o médico Renato Figueiredo, a doença pode acabar, o vírus estar morto e mesmo assim, a “convalescência” deixa a pessoa indisposta. Com isso, há pessoas que ficam de atestado até três semanas por conta da dengue.


Sem mencionar, que há casos de morte em decorrência da doença. A SES (Secretaria Municipal de Saúde) já investiga três mortes por dengue no Estado, ocorridas só neste ano.


Fora a hidratação de três a quatro litros por dia, é essencial ter uma alimentação adequada para tratar a doença. De acordo com o médico, os pacientes reclamam de falta de fome, mas é necessário tentar se nutrir para dar energia ao corpo.


O recomendável é se hidratar com 2/3 de água, suco natural, água de coco, e chás e 1/3 com hidratação oral (soro caseiro ou do posto de saúde). Além disso, se necessário, deve ser aplicado soro na veia.

Jornal Midiamax