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Em MS, 80% dos assassinatos de mulheres são decorrentes de violência doméstica

Na última sexta-feira (29), Mariluza Bento de Souza, 30 anos, foi morta pelo ex-marido com várias facadas pelo corpo. O crime aconteceu em Sonora, a 351 km de Campo Grande e entra para as estatísticas das mortes violentas de mulheres no Estado. De acordo com os dados do Comitê Estadual de Lei Maria da Penha, […]

Arquivo Publicado em 04/12/2013, às 19h33

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Na última sexta-feira (29), Mariluza Bento de Souza, 30 anos, foi morta pelo ex-marido com várias facadas pelo corpo. O crime aconteceu em Sonora, a 351 km de Campo Grande e entra para as estatísticas das mortes violentas de mulheres no Estado. De acordo com os dados do Comitê Estadual de Lei Maria da Penha, em todo o Estado, entre os meses de janeiro e novembro, 20 mulheres foram assassinada, sendo que 80% das mortes foram em decorrência de violência doméstica.


Segundo Marlene Ricardi, uma das integrantes do Comitê, dois casos de assassinatos de mulheres no Estado, não aconteceram por violência doméstica. “São os casos de uma indígena foi morta a pauladas, por estar na hora errada e no lugar errado e o da garota de programa que foi morta em Campo Grande”, explica.


Conforme Marlene, o Estado vem mantendo a média no número de assassinatos de mulheres. No ano passado, foram 30. “Teve uma pequena redução até agora, mas nem toda morte chega a ser esclarecida como assassinato”, destaca.  Mato Grosso do Sul ocupa o quinto lugar no número de mortes de mulheres, e o segundo, no número de mortes violentas, como no caso que aconteceu em Sonora, em que o ex-marido assassinou a mulher com diversas facadas por não aceitar a separação.


Marlene explica ainda que as mortes são decorrentes da característica de uma sociedade machista e patriarcal em que os homens matam as mulheres, por causa do sentimento de posse. “Eles não aceitam que a mulher tenha outra relação. A maioria das mortes acontece depois da separação. É uma característica do Estado, por ser extremamente conservador”, pontua.


Outro problema apontado por Marlene é o não funcionamento 24 horas da Delegacia da Especializada de Atendimento à Mulher, pois a maior parte dos casos de violência acontece durante a noite, nos feriados ou no fim de semana.  “Tem que ser registrado o Boletim de Ocorrência em outra delegacia, mas não tem o aparato que uma especializada tem para colher a mulher. As mulheres que sofrem violência ficam extremamente fragilizadas”, conclui.


Apesar dos números serem considerados assustadores, é possível uma mudança nos número de violência contra a mulher em todo o Brasil. “Não muda de uma hora para outra, é através da educação e conscientização das pessoas”, finaliza Marlene.


Segundo dados da Secretária Nacional de Segurança Pública (Sejusp), do dia 1º de janeiro, até hoje, foram registrados 1775 boletins de ocorrência por violência doméstica em Campo Grande e 3876 nas cidades do interior do Estado.

Jornal Midiamax