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Em depoimento, dono da boate Kiss confirma superlotação em festas

Um dos sócios-proprietários da boate Kiss, o empresário Mauro Hoffmann admitiu que foram realizadas festas com cerca de mil pessoas na casa noturna palco da tragédia em Santa Maria (RS). A declaração foi dada à Polícia Civil em depoimento após ser preso e publicada nesta sexta-feira no jornal Zero Hora. Segundo a polícia, Hoffmann afirmou […]

Arquivo Publicado em 15/02/2013, às 11h55

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Um dos sócios-proprietários da boate Kiss, o empresário Mauro Hoffmann admitiu que foram realizadas festas com cerca de mil pessoas na casa noturna palco da tragédia em Santa Maria (RS). A declaração foi dada à Polícia Civil em depoimento após ser preso e publicada nesta sexta-feira no jornal Zero Hora.


Segundo a polícia, Hoffmann afirmou que já ingressaram, em determinadas ocasiões, próximo a mil pessoas na boate. No depoimento, ele esclareceu ainda que na data do incêndio havia cerca de 700 a 800 pessoas, conforme lhe informou Elissandro Spohr, o Kiko, outro sócio-proprietário da Kiss que também está preso.


Até o momento, a possível superlotação da casa noturna na madrugada de 27 de janeiro é um dos pontos a ser esclarecido pela investigação. A capacidade do local seria de 691 pessoas.


Incêndio na Boate Kiss


Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.


Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. “Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair”, contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.


A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.


Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.


Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente – dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.


A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Jornal Midiamax