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Durante CPI, ex-diretor de HU diz que problema estava no jogo de empurra-empurra

O ex-diretor do HU (Hospital Universitário), Gualberto Nogueira Lelis, foi a nona pessoa a ser ouvida na CPI da Saúde da Câmara Municipal nesta segunda-feira (1°). Lelis foi diretor do hospital por duas vezes, uma de julho de 2007 a agosto de 2009. Antecedendo José Carlos Dorsa. E outra de agosto de 1992 a agosto […]

Arquivo Publicado em 01/07/2013, às 16h04

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O ex-diretor do HU (Hospital Universitário), Gualberto Nogueira Lelis, foi a nona pessoa a ser ouvida na CPI da Saúde da Câmara Municipal nesta segunda-feira (1°). Lelis foi diretor do hospital por duas vezes, uma de julho de 2007 a agosto de 2009. Antecedendo José Carlos Dorsa. E outra de agosto de 1992 a agosto de 1996.

Servidor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) há 33 anos, Gualberto disse que o problema no hospital estava no jogo de empurra-empurra entre os ministérios da saúde e da educação, responsáveis pelo envio de recursos ao HU, e da própria reitoria, que não assumia sua competência e deixava para ele ter que responder por tudo.

Segundo ele, da primeira vez que foi diretor a estrutura já era “um tanto deficitária, mas o corpo médico era excelente e nós conseguíamos curar muitos pacientes”. Já em 2007, o hospital enfrentava problemas muito grandes de estrutura e pessoal. “Era difícil contratar radioterapeuta”, elucidou.

Ao constatar os problemas, o médico disse, ter cobrado verbalmente da vice-reitoria, que era responsável, por fazer este intermédio entre o HU e a UFMS. E também da reitora Célia Maria Silva Correa Oliveira soluções. “Ela respondeu: eu não farei isso, você que fará. Porque você é da área médica. Então você tem que procurar apoio político”, disse sobre os problemas de recursos, já que não conseguia apoio no MEC e MS.

Gualberto disse ainda ter feito um projeto de reestruturação do HU e levou até o senador Delcídio (PT). Orçado em R$ 30 milhões, o médico disse que até hoje não sabe se a Universidade recebeu algum dinheiro em cima do projeto.

Quando foi em 2009, a Anvisa fechou o serviço de radioterapia. Com isso, em 6 de março do mesmo ano, ele solicitou para que a física Regina Borges Prestes – responsável pelo setor de radiologia na época – fizesse um levantamento de tudo que faltava, especificamente naquele setor, para que pudesse ir atrás de recursos. O levantamento ficou em R$ 287.693,50.

Com o material em mãos, ele encaminhou os documentos a Universidade e no dia 16 de junho de 2009 recebeu a resposta do chefe do financeiro que não havia recursos para o projeto.

O médico contou ainda ter ido diversas vezes ao MEC pedir recursos. E que o MEC respondia que a rede de ensino estava bem atendida, que a UFMS recebia bastante recursos (um dos maiores do Estado) e o problema não era com eles e sim com o Ministério da Saúde. Este, por sua vez, dizia a mesma coisa.

Cansado do jogo de empurra-empurra e dos diversos questionamentos que precisava passar com juízes, ministério público e médico disse que saiu Don hospital. “Precisava ficar o tempo todo justificando os problemas do hospital. Além de ter de resolver inúmeros problemas como falta de leito, acompanhantes, sem contar a falta de manutenção que todos os HUS sofrem. Isso foi sucateando com o passar do tempo todos os serviços”.

Sobre a colocação de Dorsa como diretor disse que na sua época o médico nunca teve nenhum cargo de confiança e ficou surpreso quando assumiu o lugar dele.

Jornal Midiamax