Caixas com documentos importantes podem ter sido destruídas no incêndio que ocorreu na tarde de ontem no Memorial da América Latina, na zona oeste de São Paulo. O local onde esses arquivos estavam ainda não foi sido liberado para vistoria na manhã deste sábado.

Isso ocorre porque o Corpo de Bombeiros ainda faz o trabalho de rescaldo no local, que só deve terminar no início da tarde para que a Defesa Civil e outros técnicos façam uma análise estrutural e de danos no local.

Um dos funcionários responsáveis pelo arquivo do Memorial Francisco de Assis Gomes, 67, está preocupado com o estado da documentação. “Há várias caixas de documentos que eu mesmo arquivei lá, inclusive plantas originais do [arquiteto] Oscar Niemeyer (1907-2012)”, disse.

O homem foi ao local na manhã de hoje porque teria aulas de espanhol em um prédio ao lado do auditório atingido pelas chamas. O curso, porém, foi cancelado por falta de energia elétrica no local. Ele disse que é concursado e trabalha no Memorial da América Latina há 13 anos.

Quinze bombeiros e um brigadista ficaram feridos nesta sexta-feira enquanto tentavam controlar o incêndio que atinge o Memorial da América Latina, na zona oeste de São Paulo. Dois deles foram socorridos em estado grave, mas já estão fora de perigo. As informações são do Hospital das Clínicas, para onde foram encaminhados os feridos.

Segundo o capitão da PM Emerson Massera, um grupo de bombeiros foi atingido por fumaça e labaredas ao entrar no auditório Simon Bolívar, que até então estava trancado, para tentar controlar a origem do incêndio.

Como o auditório estava com pouca oxigenação, ocorreu um fenômeno chamado “flash over”. A entrada rápida de oxigênio, provocada quando os bombeiros abriram as portas, fez as labaredas se alastrarem.

MEMORIAL

O memorial foi inaugurado em 18 de março de 1989 e ocupa uma área de 84.480 m² na Barra Funda, zona oeste. O projeto foi desenvolvido pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) com desenho do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012).