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Dias de frio dificultam rotina de moradores da periferia que sofrem com baixas temperaturas

Na favela conhecida como Cidade de Deus, no bairro Dom Antonio Barbosa, região sul da Capital, ir atrás de comida e roupas apropriadas para se esquentar nesse clima de frio intenso também fazem parte da rotina

Arquivo Publicado em 22/07/2013, às 21h10

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Na favela conhecida como Cidade de Deus, no bairro Dom Antonio Barbosa, região sul da Capital, ir atrás de comida e roupas apropriadas para se esquentar nesse clima de frio intenso também fazem parte da rotina

Ocasião preferida para ficar de baixo do cobertor, os dias de baixas temperaturas acabam sendo de correria para moradores carentes da periferia de Campo Grande. Reforçar a cobertura dos barracos e acender fogueiras são algumas das precauções necessárias para sobreviverem aos dias de frio, que conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), seguem intensos até a quinta-feira (25), podendo as temperaturas baixarem até 4°C.


Na favela conhecida como Cidade de Deus, no bairro Dom Antonio Barbosa, região sul da Capital, ir atrás de comida e roupas apropriadas para este clima também fazem parte das atividades dos que vivem com renda escassa. “Tive sorte de encontrar uma sacola com algumas roupas. Peguei também algumas madeiras para fechar os buracos do meu barraco.”, relata a catadora, Tereza Maria da Conceição, 55 anos. Além dos cuidados com si mesma, ela se preocupa em aquecer sua cachorrinha poodle preta. “Ela fica com frio também, por isto arranjei uma colcha só para ela.”


É diante de situações como a de Tereza, que algumas pessoas se comovem e tentam ajudar nos dias de frio como a missionária, Janete Souza Morais. “É a primeira vez que tenho esta iniciativa. Vim aqui no sábado, mas logo que vi este frio fiquei pensando nas necessidades deles e resolvi vir com o pessoal da minha igreja”, relata. O grupo que ela acompanhava entregou 600 cobertores, 300 cestas básicas, 300 quilos de carne e 300 litros de leite.


Margarida de Moraes, 58 anos, foi um das contempladas pela iniciativa. Morando no local há nove meses, quando perdeu o emprego e não teve mais condições de pagar aluguel, ela enfrenta uma pontada de pneumonia. “Estou tomando remédio, mas com este tempo, se não me agasalhar direito, não adianta de nada”, explica.


Apesar da grande quantidade de mantimentos entregues, não são todas as famílias que conseguem ser contempladas. Morando com a filha e a mulher grávida, o catador, Paulo Antonio, 20 anos, não conseguiu pegar os cobertores. “É uma pena, por que dependemos desta ajuda. A prefeitura nunca aparece aqui para dar uma ajuda com agasalho e cobertores”, confessa. Com a situação, o jeito é pegar restos de mato e lixo para acender a uma fogueira para aquecer as crianças.

Jornal Midiamax