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Consignados: Servidor agora sofre com financeira que barra portabilidade

Empresa é vinculada ao BGN, mas tenta levar as contas do cliente para o Bradesco. Quem deseja mudar a dívida de banco não consegue retirar o saldo devedor.

Arquivo Publicado em 25/03/2013, às 17h37

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Empresa é vinculada ao BGN, mas tenta levar as contas do cliente para o Bradesco. Quem deseja mudar a dívida de banco não consegue retirar o saldo devedor.

Mesmo após finalmente ter conseguido se livrar da exclusividade do Banco no Brasil nos empréstimo consignado, os cerca de 65 mil servidores estaduais continuam tendo problemas na hora que precisam acertar a vida financeira. O entrave agora é conseguir a portabilidade com dívidas junto ao banco BGN.


A dificuldade é que a Cetelem, empresa que comprou o banco, não está liberando o saldo devedor dos servidores públicos, o que impede a portabilidade da dívida. Com a situação, os clientes do banco ficam “reféns”, e não conseguem negociar taxas melhores, mesmo em empréstimos antigos, antes da derrubada dos juros iniciada em 2012 pelo Governo Federal.


Além de tentar não repassar o saldo devedor, a empresa estaria tentando passar as dívidas para o Bradesco, banco concorrente, dizendo que existe uma “parceria” entre as instituições em Mato Grosso do Sul.


“O problema é recente, de uns dias para cá, mas está atrapalhando demais todo mundo. Eles ficam segurando o saldo devedor, o que impede a portabilidade das dívidas, e prejudica o servidor público estadual”, afirmou Luis Alexandre Arguilheira, da Crivo Mercantil & Finanças, também de Campo Grande.


Somente na empresa de Alexandre, pelo menos 15 servidores registraram reclamações contra a Cetelem só nesta semana. Em outra corretora, a Duchini, a reclamação também é constante. “Estamos tendo muitos servidores nesta situação, está muito difícil”, afirmou a corretora Oneide Felicio.


A afirmação foi confirmada pela policial civil aposentada Denizia Souza Ricardes, que teve a vida financeira prejudicada pela ação da empresa. “Foram dois dias sendo destratada lá (Cetelem de Campo Grande), pensaram que eu não sabia meus direitos, e queriam me impedir de receber o saldo devedor. Aquilo é um desrespeito, só consegui receber o documento depois de muita cobrança em cima da empresa”, afirmou a servidora.


O problema travou temporariamente a portabilidade de Denizia, o que impediu que houvesse margem de empréstimo em outra instituição financeira. “Perdi um compromisso financeiro importantíssimo com essa demora”, afirmou.


“O que eu estranhei foi que eles ficaram tentando fazer eu assinar um documento passando minha dívida para o Bradesco, mas eu já tinha visto direto no banco e não deixaram, achei muito estranho”, relatou Denizia.


Saldo negativo


A Cetelem, quando solicitada, envia um saldo online para os servidores. O problema é que no documento aparece uma dívida “fictícia”, e uma informação pedindo para o servidor buscar uma representante do banco em Campo Grande. No local, porém, os funcionários fazem de tudo para não entregar o saldo.


“Estou com uma cliente de Nova Andradina que veio duas vezes para Campo Grande e não conseguiu emitir o saldo, e vai ter que vim novamente. E todas em todas as idas e vindas ela que paga os custos”, lamentou o corretor Luis Alexandre.


Já a corretora Oneide explica que muitos bancos estão deixando de mandar o saldo via internet, mesmo com determinação do governo estadual. O problema, segundo ela, é que só no caso do BGN que mesmo pessoalmente o servidor está tendo problema para emitir o documento.


Empresas não comentam.


Via assessoria de imprensa, o Bradesco se limitou a dizer que “o banco não comenta”. A reportagem tentou contato com o BGN, na central do cliente (4004-5280) e na Cetelem em Campo Grande (2106-7400), porém sem sucesso. O Banco BGN foi adquirido pela Cetelem, empresa do grupo BNP Paribas e especialista em crédito ao consumo, em outubro de 2008.


Na internet


No site Reclame Aqui, canal online que avalia as empresas de todo o País, a Cetelem é avaliada com nota 3.04 pelos consumidores, com 1.070 reclamações, e 52,4% de solução dos problemas. A empresa é considerada “ruim” para o site.


Já o banco BGN tem 456 reclamações, índice de solução do problema de 36,4%, e nota dos consumidores de 1,65. A empresa é considerada “não recomendada pelo site”.

Jornal Midiamax