Geral

Chile é condenado a indenizar família por aviso falso de tsunami

A Suprema Corte do Chile condenou nesta quinta-feira o Estado a pagar 55 milhões de pesos (R$ 240 mil) a uma família de Talcahuano, no sul do país, cujo chefe foi morto na passagem do tsunami de 27 de fevereiro de 2010. Ele decidiu ficar em casa após o então intendente da região de Bío-Bío, […]

Arquivo Publicado em 20/12/2013, às 15h46

None

A Suprema Corte do Chile condenou nesta quinta-feira o Estado a pagar 55 milhões de pesos (R$ 240 mil) a uma família de Talcahuano, no sul do país, cujo chefe foi morto na passagem do tsunami de 27 de fevereiro de 2010.

Ele decidiu ficar em casa após o então intendente da região de Bío-Bío, Jaime Tohá, dizer no rádio que não havia risco de maremoto após o terremoto de magnitude 9. A decisão abre precedente para que centenas de famílias peçam indenização devido à informação falsa.

Mario Ovando Garcés, 67, morreu afogado após o tsunami inundar a casa da família no bairro de Santa Clara, em Talcahuano, a 507 km de Santiago. O resto da família conseguiu sobreviver após nadar em meio ao barro e aos escombros e decidiu processar o Estado por causa do aviso.

As ações judiciais foram recusadas duas vezes pela Justiça. Na primeira, os magistrados consideraram que Mario Ovando havia saído de casa antes que o intendente falasse na rádio. A defesa apelou e a Suprema Corte determinou que o Estado deveria indenizar a mulher e os três filhos por danos psicológicos e morais.

Depois que a decisão foi divulgada, a filha de Ovando, Paulina, disse esperar que outras famílias de seu bairro sejam beneficiadas pela decisão. “Estávamos tranquilos e nunca pensamos que aconteceria essa desgraça. Estávamos todos juntos e ficamos em casa porque não houve nenhum alerta”.

Ela afirma que a família passou por tratamentos psicológicos e recebeu uma casa construída pelo governo em Santa Clara. Segundo o ministro do Interior, Andrés Chadwick, a indenização será paga com recursos do Orçamento do ano que vem.

A decisão pode fazer com que o Estado chileno tenha que arcar com uma série de pedidos de indenização, o que pode custar milhões. Em um deles, 200 pessoas de Constitución, Curanipe e Pelluhue, na vizinha região do Maule, pedem 60 bilhões de pesos (R$ 260 milhões) no total pelos danos causados pelo tsunami.

Além das causas cíveis, há processos administrativos criminais contra a ex-diretora do Escritório Nacional de Emergência Carmen Fernández, o ex-subsecretário do Interior Patricio Rosende e funcionários do Serviço Hidrográfico e Oceânico da Marinha, responsáveis pela detecção do maremoto.

O terremoto seguido de tsunami de 2010 foi uma das maiores tragédias naturais do país sul-americano, deixando cerca de mil mortos e outros milhares de desabrigados. As regiões do Maule e de Bío-Bío foram as mais afetadas pelo abalo sísmico.

Jornal Midiamax