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Bombeiros, os profissionais ‘heróis’ que vestem a farda em tempo integral

Entre glórias e fracassos, são inúmeras as histórias que marcam a vida desses profissionais e mudam o destino de muita gente

Arquivo Publicado em 04/07/2013, às 12h20

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Entre glórias e fracassos, são inúmeras as histórias que marcam a vida desses profissionais e mudam o destino de muita gente

Superação e disciplina fazem parte da rotina de trabalho diário dos bombeiros de Mato Grosso do Sul. A maioria deles “veste a farda” em tempo integral para poder ajudar o próximo, tornando-se a versão cotidiana de verdadeiros heróis.

O tenente-coronel do 6°GB (Grupamento de Bombeiros) da área Norte de Campo Grande, Hudson Faria de Oliveira conta que são inúmeras as histórias que marcaram sua vida ao longo dos 20 anos de profissão. Mesmo estando de folga, um dia, ele foi acionado pelos vizinhos para socorrer um morador que levou choque e caiu ao consertar a antena de televisão da residência.

“Como sabiam que eu era bombeiro, me chamaram. Sempre é assim, estamos sempre em alerta. O homem parecia que estava morto, mas eu não desisti. Pulei a cerca elétrica da casa, fiz massagem cardíaca e respiração. Depois ele voltou, e quando a ambulância chegou foi transportado com respirador”, contou emocionado ao lembrar que depois o vizinho o agradeceu por ter salvado sua vida.

Enquanto contava sobre como funciona sua profissão ao Midiamax, o tenente-coronel se lembrou de outro fato. “Um acidente na Rua 25 de dezembro com a Mascarenhas parecia que era uma ocorrência de rotina. Ao chegarmos, vimos que o Passat tinha colidido no poste de iluminação e o condutor não estava sentindo as pernas. Imobilizamos o jovem, que tinha cerca de 25 anos. Colocamos colete cervical nele, e deitado na prancha, o encaminhamos ao hospital”, disse.

Depois o jovem fez questão de ir até a corporação agradecer aos militares que fizeram o resgate. O rapaz contou que o médico informou que ele deveria agradecer quem fez os primeiros socorros, porque por muito pouco ele poderia ficar sem andar. A imobilização foi feita corretamente e isso garantiu que ele pudesse recuperar os movimentos das pernas novamente.

Mas nem só de glórias vivem esses profissionais. “É uma profissão nobre. O bombeiro tem que ser uma pessoa dinâmica e ter vontade de superar obstáculos. A gente procura não se lembrar das histórias tristes. Por acaso, eu me encontrei, tanto é que já fiz várias especializações na área. Mas é preciso ser forte em muitos momentos”, explicou o cabo Leonardo de Souza Leite, 41 anos, que atua como bombeiro há 17, ao se lembrar de um caso triste.

Leonardo contou que após um ano de profissão, ele atendeu uma ocorrência de incêndio em uma casa no bairro Universitário. O resultado foi trágico. “Chegamos ao local, mas a casa era simples, parecia um barraco. Infelizmente, não deu tempo de salvar uma criança deficiente de quatro anos, que morreu no local. Tudo ficou destruído. É muito triste”, desabafou.

Por outro lado, a bombeira Rayanne Brum, 26 anos, tem apenas três anos de profissão e já possui uma boa lembrança. “O incêndio no Leonardo da Vinci, na Rua Amazonas, marcou a minha vida. Eu recém tinha saído do curso de soldado. Foi uma boa aprendizagem, e fiquei feliz por ajudar no resgate das pessoas”, contou.

Rayanne também destaca que quem deseja ser bombeiro deve ter em mente quais são as vantagens e desvantagens desta profissão. “A população reconhece o nosso trabalho. É muito gratificante ser bombeiro, poder salvar vidas. Mas também pode ser cansativo, tem que ter preparo físico e emocional”, concluiu a jovem.

Jornal Midiamax