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Bilionário e ex-surfista: conheça o novo homem mais rico do Brasil

Ser um ex-surfista, ex-jogador de tênis profissional com cinco títulos brasileiros, e aos 73 anos se tornar o rosto mundial da cerveja e da comida rápida pode parecer uma trajetória pouco saudável, mas não é contraditório quando se trata de negócios. Esse é o perfil de Jorge Paulo Lemann, o brasileiro sócio da cervejaria AB […]

Arquivo Publicado em 15/02/2013, às 19h40

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Ser um ex-surfista, ex-jogador de tênis profissional com cinco títulos brasileiros, e aos 73 anos se tornar o rosto mundial da cerveja e da comida rápida pode parecer uma trajetória pouco saudável, mas não é contraditório quando se trata de negócios. Esse é o perfil de Jorge Paulo Lemann, o brasileiro sócio da cervejaria AB Inbev, do Burguer King e da marca de catchup Heinz, empresa que adquiriu junto ao bilionário Warren Buffett na quinta-feira, de acordo com perfil publicado no portal financeiro mexicano El Economista.



O investidor brasileiro, que já participou de campeonatos como Wimbledon e a Copa Davis, também emerge como empresário e agora se tornou o homem mais rico do Brasil, e o número 36 no ranking de bilionários da Bloomberg, que estimou sua fortuna em cerca de US$ 20 bilhões.



Descrito como alto, simpático, em forma, é difícil imaginar Jorge Paulo Lemann com uma garrafa de Corona, Stella Artois ou Budweiser na mão direita ou um Whopper na mão esquerda temperado com mostarda e catchup Heinz. A imagem fica mais contrastante depois de ouvi-lo falar a alunos de Harvard, local onde estudou, sobre suas aventuras como surfista nas praias de Copacabana, no Rio, na década de 60, segundo a publicação.



Lemann, filho de pais suíços e nascido no Rio de Janeiro, começou a construir sua fortuna em 1971, quando criou o Banco Garantia com os inseparáveis sócios Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.



Ele ainda faz parte do conselho consultivo da Escola de Negócios de Harvard, preside uma fundação sem fins lucrativos que leva seu nome e criou um fundo para cobrir os estudos de pós-graduação de brasileiros que querem ir para a universidade. Apesar disso, afirmou que o primeiro ano na universidade americana foi “horrível”, pois nunca tinha visitado o país, tinha perdido a praia, estava morrendo de frio, não estava acostumado a estudar e as notas eram as piores possíveis. Quando viajou para o Brasil de férias, funcionários da universidade recomendaram que ficasse afastado por um ano para amadurecer, diz o site.



Na volta, ao invés de fazer três ou quatro matérias por semestre, fez sete. Passou a estudar com provas antigas e conseguiu se recuperar e se formou economista em 1961. Após a formatura, trabalhou no banco Credit Suisse e foi testado como jornalista no Jornal do Brasil, mas perdeu o emprego porque também atuava como corretor de ações e o jornal achou que havia um óbvio conflito de interesse, conforme a publicação. O El Economista afirmou ainda que depois de passar pela área financeira de várias empresas, aos 32 anos ele criou o Banco Garantia em um dos piores momentos econômicos e políticos do Brasil. Semanas após a abertura, o mercado de ações brasileiro caiu quase 60% e fez Lemann perder quase todo o seu capital. Apesar desse entrave, Lemann sobreviveu no mercado financeiro e passou a se cercar dos melhores talentos e a premiá-los com ações. Dentre os ex-funcionário, destaca-se Armínio Fraga, que saltou de economista-chefe do Banco Garantia para presidente do Banco Central no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).



Na década de oitenta, Leeman passou a investir em fusões e aquisições e comprou a cervejaria Brahma e a rede de lojas Americanas. Em 1998, ele e seus sócios venderam o Banco Garantia ao Credit Suisse por cerca de US$ 1 bilhão, de acordo com o jornal britânico Financial Times. Na vida pessoal, decidiu deixar o Brasil e voltar para Suíça em 1999, quando seus filhos passaram por uma tentativa de sequestro.



Na sequência, comprou a rival Antarctica e criou a Ambev. Em 2004, com os sócios criou o fundo de investimentos 3G Capital. Em 2008, o grupo usou a InBev, a cervejaria internacional que tinham construído a partir da Ambev para fazer a fusão de US$ 52 bilhões com a cervejaria americana Budweiser, diz o jornal inglês. Eles voltaram a ser notícia em 2010, quando a base nova-iorquina da 3G Capital assumiu o Burger King por US$ 3,3 bilhões.



Nas últimas semanas, além da compra da Heinz por R$ 28 bilhões juntamente com o bilionário Warren Buffet, Lemann busca concretizar outro grande negócio. A AB Inbev quer comprar a cervejaria mexicana Corona, mas esbarra na legislação americana que pretende vetar o negócio com custo previsto de R$ 20 bilhões.



Apesar dos negócios bilionários, Lemann dedica 25% do seu tempo à filantropia. Ele participa ativamente do Endeavor, um portal de empreendedorismo brasileiro, e da Fundação Lemann, cuja missão é permitir o desenvolvimento de jovens brasileiros em universidades americanas, de acordo com informações do El Economista.


Jornal Midiamax