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Após demissão de Perches, servidores ‘lavam’ Regional em ato simbólico contra a corrupção

Servidores do Hospital Regional lavaram na manhã desta quinta-feira (4) a porta de entrada do Hospital Regional em Campo Grande, em ato simbólico contra a corrupção. Pelo menos 30 pessoas munidas de faixas, cartazes, além de vassouras, baldes e bastante sabão se manifestaram contra o escândalo da saúde revelado com a Operação Sangue Frio, deflagrada […]

Arquivo Publicado em 04/07/2013, às 12h28

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Servidores do Hospital Regional lavaram na manhã desta quinta-feira (4) a porta de entrada do Hospital Regional em Campo Grande, em ato simbólico contra a corrupção. Pelo menos 30 pessoas munidas de faixas, cartazes, além de vassouras, baldes e bastante sabão se manifestaram contra o escândalo da saúde revelado com a Operação Sangue Frio, deflagrada pela Polícia Federal em 19 de março e que culminou recentemente com a exoneração da secretaria estadual Beatriz Dobashi e destituição do diretor do HR, Ronaldo Perches.

Com cartazes que diziam “estamos lavando a corrupção pro um SUS 100% público”, “chega de corrupção e privatização no SUS”, os funcionários lavaram a entrada da porta de vidro do Regional. O ato foi organizado durante a troca de plantão e durou cerca de 10 minutos, para que os atendimentos aos pacientes não fossem prejudicados.

O presidente do Sintss (Sindicato da Seguridade Social) – entidade representativa dos servidores da saúde em MS – Alexandre Júnior Costa, disse que não é contra terceirização de alguns serviços, mas defende que setores estratégicos do hospital, ‘os que dão lucro’, não sejam privatizados como vem sendo feito.

“Essa lavagem é um ato simbólico de tirar a sujeira de todo um grupo político que comandava a política publica da saúde no Estado, se privatização, sucateamento e desmonte de setores. Também para mostrar ao secretário interino (Lastória) que não é porque houve a troca que vamos ficar alheios a situação. Continuaremos a fiscalizar”, frisou Alexandre.

Funcionários dizem que denúncias não são novidades

Durante a manifestação, funcionários declararam que as denuncias que vieram a tona com as investigações da PF, as quais apontam uma rede de gestores atuando para privatizar, direcionar e fraudar verba do SUS, não são novidade entre eles.

“Infelizmente essas denuncias não foram surpresa para nós servidores. Mesmo quando era outra gestão, nós viemos denunciando o desmonte, o sucateamento e outras ‘atividades’ ao Ministério Público e ao próprio governo, por meio de ofícios”, afirma o presidente do Sintss, que é funcionário desde 1989 da secretaria de saúde do Estado.

O técnico de enfermagem Ricardo Bueno, que trabalha no HR há 9 anos, conta que acompanhou o processo por duas vias: por um lado a ampliação do tipo de serviço oferecido como nutrição, psiquiatria. Por outro o desmonte dos serviços essenciais como ortopedia, por exemplo.

“Para se ter uma ideia prática, temos neurologia clínica, mas não tem neurocirurgia. O HR era centro de oncologia e hoje não é mais, se tornou apenas uma unidade de oncologia com atuação muito mais restrita. Um projeto para um trabalho melhor para o câncer existe desde 2004 e ate hoje não saiu do papel. Outro ponto é o quadro funcional. Nesse 9 anos, mal lembro de um concurso e os bons profissionais foram mirando para outros lugares”, contou.

Juarez Barroso Pires, que trabalha ha 16 anos na psiquiatria, falou que o setor dele o grande problema é a falta de medicamentos. “Tem paciente que fica desassistido porque não tem medicamento especifico. Isso é muito grave”, afirmou.

O servidor Francisco Monzon Queiroz, há 7 anos trabalho no setor de nutrição do Hospital, falou que a cozinha, que atende pacientes e funcionários, está ‘caindo aos pedaços’.

“Além da falta de estrutura, hoje a cozinha trabalha com a boa vontade dos fornecedores, porque quando vai comprar um suprimento, demora uns 4 meses para o processo terminar. Ai pedimos pros fornecedores e eles de boa vontade liberam a comida. Só que quando vem o empenho pra pagar, já entregaram tudo o que tinha pra entregar e ficamos de novo na mesma situação”, relatou.

Até a lavanderia, inaugurada em 2012 e que começou a funcionar em 17 de dezembro de 2012, foi alvo de reclamações. Funcionários disseram que quando quebra uma peça demora semanas para consertar. Também o pronto socorro foi outro alvo das críticas. “Na região já entregaram uma agencia bancária de grande porte a um supermercado, e o Pronto Socorro ainda não saiu do papel”, disparou um servidor que preferiu não se identificar.

Jornal Midiamax