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Andar de ônibus em Campo Grande é caro, demorado, ineficaz e ruim, afirmam usuários

Estopim dos protestos que sacudiram o País, transporte coletivo entra na pauta das reivindicações. Capital tem quase o mesmo valor das grandes metrópoles, apesar de ser cidade 'pequena'

Arquivo Publicado em 29/06/2013, às 17h10

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Estopim dos protestos que sacudiram o País, transporte coletivo entra na pauta das reivindicações. Capital tem quase o mesmo valor das grandes metrópoles, apesar de ser cidade ‘pequena’

O estopim para as manifestações de rua, que começaram em São Paulo (SP) e se espalharam para outras cidades do Brasil, foi o transporte público. Depois de décadas utilizando o serviço, muitos usuários que não concordam com a relação preço/qualidade saíram às ruas para reivindicar melhorias no setor

Campo Grande está longe de ser uma metrópole. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2012, a capital-sul-mato-grossense possui 805 mil habitantes. Enquanto São Paulo, por exemplo, tem 11,2 milhões de moradores. Mesmo com essa diferença gritante, o valor da passagem do ônibus das duas cidades se aproxima. Enquanto por aqui o cidadão paga R$ 2,85 – R$ 2,75 começará a valer no próximo mês – por lá, no estado vizinho, a tarifa sai por R$ 3,00.

“O transporte público seria ótimo se não fosse tão caro. O preço pago pelo quilômetro andado não compensa”, opina a secretária Simone Breve, 40 anos, que utiliza o coletivo para se locomover. Para ela, a comparação com tarifas de ônibus de outras cidades é inevitável, já que “os bairros em Campo Grande são próximos uns dos outros e o valor pago para ir e vir é muito caro”.

Cerca de 219 mil usuários da cidade usam o transporte coletivo. Eles se dividem em uma frota composta por 575 ônibus, conforme dados da Assetur (Associação das Empresas de Transporte Público Urbano de Campo Grande), que representa as quatro empresas integrantes do Consórcio Guaicurus: Viação Cidade Morena – empresa líder –, Viação São Francisco, Jaguar Transportes Urbanos e Viação Campo Grande.

No entanto, a grande estrutura da prestação do serviço e as recéns melhorias feitas na composição não agradaram os usuários, que ainda estão cheios de reclamações. “Eu não me importaria de pagar esse valor de R$ 2,85 se valesse a pena, se tivéssemos um terminal mais estruturado e limpo e se tivéssemos mais ônibus, menos lotados e com mais conforto”, afirma Marcos Ferreira, 16, que utiliza o transporte para ir à escola e ao trabalho. “Pelo valor pago, não compensa”, avalia.

Quem também não poupou críticas ao modelo utilizado na cidade foi a empregada doméstica Joelma Fernandes da Cruz, 46. Ela afirmou que o coletivo “sempre está muito cheio” e com poucos veículos na linha. “Aumentou a população da cidade e parece que os ônibus não estão dando conta. Em todos os horários, ele é lotado”, conta.

Joelma mora na Vila Nogueira e diz que fica, em média, uma hora e meia dentro do ônibus para chegar ao trabalho, que fica no Jardim dos Estados. “Pego três ônibus para ir. Minha sorte é que uso a integração. Senão, seria mais caro”, afirma.

Essa uma hora e meia de espera é enfrentada pela maioria dos trabalhadores. O estoquista Everton da Silva Ribeiro, 20, também reclama do tempo. “Saio 6h20 de casa, no Jardim Aeroporto, para chegar às 8h no serviço, no Jockey Clube. Essa á média. Acho que tem muita gente para pouco ônibus”, comenta.

Ele também chama a atenção para a falta de segurança devido a superlotação. “Se acontecer um acidente entre dois ônibus, igual teve esses dias, um monte de gente vai se machucar. Isso também é preocupante”, conta.

Ainda sobre a espera, a dificuldade é maior para quem possui uma deficiência física. A dona de casa Alessandra Lopes, 26, diz que sempre espera, no mínimo, 30 minutos para conseguir ser transportada com a filha que anda em uma cadeira de rodas. “Na linha 080 é impossível. Fico meia hora esperando um ônibus adaptado para andar 10 minutos. Isso acontece todos os dias”, lamenta.

Quem estuda e trabalha também tem a rotina ainda mais exaustiva. Vanessa Morais, 22, que é auxiliar administrativo e faz um curso técnico, pega sete ônibus por dia para sair de casa, ir ao trabalho, ao curso e voltar ao lar no fim do dia. “É muito ruim, é caro, é demorado, é lotado e é sempre”, desabafa.

Para Daybson da Silva, 35, que trabalha com manutenção, R$ 2,00 seria o preço ideal pago pelo campo-grandense. O pensamento do trabalhador reforça todas as indignações dos demais entrevistados. “Não é justo”, define ao dizer que a cidade precisa de uma frota reforçada principalmente no horário de pico.

Jornal Midiamax