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Veículos que lotam pátios de delegacias travam processos de investigação de crimes

Como cada veículo envolvido em crimes ou contravenções depende do trabalho de delegacias especializadas diferentes, prédios plantonistas ficam lotados. Ideal seria que todos os automotores e ciclomotores fossem concentrados em um só local, como as dependências do Detran.

Arquivo Publicado em 17/06/2012, às 10h55

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Como cada veículo envolvido em crimes ou contravenções depende do trabalho de delegacias especializadas diferentes, prédios plantonistas ficam lotados. Ideal seria que todos os automotores e ciclomotores fossem concentrados em um só local, como as dependências do Detran.

Centenas de motocicletas, veículos e bicicletas envolvidas em crimes. Além de armas apreendidas, que depois são encaminhadas ao Exército para destruição, formam o cenário dos pátios e das dependências das delegacias de Campo Grande, nas quais os veículos deveriam ser destinados a um pátio correto, ou devolvidos aos donos. Mas em muito dos casos, os proprietários deixam de retirar o bem por conta de multas ou por estarem envolvidos em furtos, tráfico de drogas ou outros crimes.

“Quando chegam as segundas-feiras eu já sei que os pátios estarão lotados e muitas ocorrências ficam atrasadas e sem andamento, principalmente porque os carros não são encaminhados para a realização da perícia. Agora, quando acontece um crime envolvendo um veículo, pedimos aos delegados para encaminhar os bens no próprio plantão e para a delegacia especializada. Se o veículo, por exemplo, for de um traficante, será encaminhado a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), que irá conduzir o inquérito policial e o carro ficará lá até o final das investigações”, afirma o delegado titular da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Piratininga, Fernando Nogueira.

Ainda de acordo com o delegado, a demora por conta da burocracia para liberar um bem envolvido em crime ou contravenção é um dos principais empecílios para que o proprietário lute pela devolução. Exemplificando, fica até mais barato comprar outra bicicleta usada para trabalhar do que ficar esperando a da vítima ser devolvida e pagando por transporte coletivo, que tem custo unitário em ônibus convencional de R$ 2,85.

Além dos carros, o delegado Jairo Carlos Mendes conta que “copiou” uma idaia já realizada com sucesso pela 4ª DP (Delegacia de Polícia) e a colocará em prática ainda esta semana.

“Vamos retirar daqui 80 bicicletas e encaminhar a Setas (Secretaria de Trabalho e Assistência Social), para que sejam feitas cadeiras de rodas e assim ajudar pessoas que realmente precisam”, diz o delegado de apoio da 5ª DP.

Em entrevista ao Midiamax, o delegado ainda explica que muitos veículos apreendidos jamais serão entregues. “São os chamados ‘bob´s’, aqueles carros em que o estelionatário financia em nome de um ‘laranja’ e depois são apreendidos. Na verdade, eles sairão daqui apenas com uma ordem judicial e depois serão encaminhados ao Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito) para leilão”, explica o delegado Mendes.

Além da Polícia Civil, a Polícia Militar também acredita que os veículos deveriam ter um local apropriado. “A PM também sofre com a falta de viaturas e motocicletas. Estes carros, motos e bicicletas, ao invés de ficar se deteriorando, poderiam ser reformados e usados no nosso trabalho diário”, afirma um policial militar que prefere não se identificar.

Ele conta que no pelotão do Jockey Clube, por exemplo, existem apenas três viaturas para atender uma área que abrange ao menos 53 bairros. “Se uma só estragar muita gente será prejudicada e essa situação é bem diferente das propagandas anunciadas pelo Governo, que mostram inúmeras viaturas”, fala o policial.

Jornal Midiamax