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Vale vê demanda forte e alta do minério de ferro

A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, avalia que há uma tendência de alta dos preços de seu principal produto, com o pior já tendo passado para a economia da China, principal importador global da commodity. Nesse cenário, em períodos de pico de demanda, o preço do minério de ferro no mercado […]

Arquivo Publicado em 26/04/2012, às 17h00

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A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, avalia que há uma tendência de alta dos preços de seu principal produto, com o pior já tendo passado para a economia da China, principal importador global da commodity.


Nesse cenário, em períodos de pico de demanda, o preço do minério de ferro no mercado internacional poderia atingir 180 dólares por tonelada, disse o diretor da mineradora Vale, José Carlos Martins, em conferência nesta quinta-feira para comentar os resultados do primeiro trimestre, divulgados na véspera.


O executivo afirmou ainda que, no cenário atual, um nível de 150 dólares por tonelada para o preço do minério de ferro é “razoável”, acrescentando ainda que a cotação não deve cair abaixo de 120 dólares.


Atualmente, o minério de ferro está em torno de 145 dólares por tonelada. Os preços vendidos pela Vale no primeiro trimestre não refletiram a recuperação dos valores praticados no mercado internacional por vários motivos, entre os quais o fato de uma parcela de vendas ainda estar vinculada ao modelo antigo de precificação, pelo qual os movimentos de altas ou baixas não são repassados imediatamente.


“Tivemos ainda alguns preços referidos ao sistema anterior e do trimestre passado para este trimestre estes preços caíram, com a média defasada, então eles estão ainda estão puxando a média do terceiro trimestre”, explicou Martins.


“Mas tem também muitos preços com o valor do mês ou até do dia… temos parcela crescente das vendas realizadas a preços do dia… Daqui para frente os valores entrarão em precificação mais próxima do sistema que se tem atualmente”, acrescentou o executivo.


A mineradora registrou uma queda de 40,5 por cento em seu lucro no primeiro trimestre , em parte por conta dos preços mais baixos do minério de ferro. A companhia está fazendo entre 10 e 15 por cento das vendas de minério de ferro por meio de licitação, disse Martins em uma segunda teleconferência para analistas, realizada em inglês. Segundo o diretor, essas vendas são de carregamentos no mar e feitas com base no preço diário, e não no índice Platts.


VENDAS RETOMADAS


O tempo adverso no primeiro trimestre, com chuvas fortes prejudicando as operações da mineradora, também afetaram o desempenho da companhia, especialmente em janeiro e fevereiro. Mas em março os volumes embarcados superaram os dois primeiros meses do ano, informou o presidente Vale, Murilo Ferreira, na mesma teleconferência.


Diante disso, a companhia espera uma recuperação nas vendas e mantém a projeção de vendas de 310 milhões de toneladas para 2012. As vendas totais de minério de ferro e pelotas da Vale atingiram recorde histórico no ano passado, com quase 300 milhões de toneladas.


 “Nós não perdemos a confiança que vamos entregar os números que prometemos. A Vale tem uma plataforma de crescimento muito importante, muito focada… Todos sabem onde vamos crescer, não vamos nos desviar desse comprometimento”, disse Ferreira, em teleconferência para comentar os resultados.


A mineradora considera ainda que, apesar da queda do preço do cobre, a demanda pelo metal continua forte, afirmou o diretor financeiro da mineradora, Tito Martins. As ações da Vale chegaram a cair quase 3 por cento, mas por volta das 13h45 operavam com alta de 0,58 por cento, enquanto o Ibovespa estava praticamente estável.

Jornal Midiamax