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Trecho refeito da BR-267 apresenta problemas depois de quatro meses de uso

Reportagem acompanha problema há quase um ano. Defeitos na pista deveriam ter sido corrigidos, mas afundamentos e ondulações persistem

Arquivo Publicado em 23/01/2012, às 11h30

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Reportagem acompanha problema há quase um ano. Defeitos na pista deveriam ter sido corrigidos, mas afundamentos e ondulações persistem

Quando esteve com o recém-empossado diretor de engenharia do Dnit, Antônio Carlos Nogueira, no começo de janeiro, a reportagem do Midiamax questionou os valores e prazos dos novos editais de 2012, lançados pela diretoria exonerada de Marcelo Miranda.


O agora superintendente interino do Dnit/MS prometeu analisá-los e tomar providências, se fosse o caso. Tomou, revogando todos os oito editais de revitalização de rodovias cujas obras,  em alguns trechos, foram concluídas no começo de 2010.


O valor total das licitações canceladas era quase bilionário – R$ 819 milhões, os mais caros do país.


Na mesma ocasião, a reportagem também questionou a pouca durabilidade das rodovias restauradas ou revitalizadas no MS. Ao questionamento,  o novo chefe da Engenharia respondeu que as obras, com custo aproximado de R$ 1 milhão/km, deveriam durar de três a quatro anos.


Segundo ele, a revitalização se destinava a recuperar a trafegabilidade de pavimentos velhos e sucateados, que ficaram sem manutenção durante anos seguidos. E as obras de restauração, como no caso da BR-267, não deveriam ter previsão de mudanças fundamentais na estrutura da pista, também antiga.


Nogueira disse que estudaria os projetos para ter certeza do trabalho contratado, antes de se posicionar ainda sem ter maiores informações.


Diante da resposta, a reportagem mostrou imagens recentes da BR-267 (novembro de 2011), em trecho mais problemático, que teve que ser reconstruído pela Construtora Sucesso, com sede no Piaui, depois de auditoria do TCU.


Essa obra foi enquadrada no Fiscobras 2010 por superfaturamento, sobrepreço, uso de materiais inadequados e, principalmente, por falta de fiscalização do Dnit durante a sua execução.


As imagens que o novo chefe de Engenharia viu mostravam afundamentos e ondulações, e irregularidades no asfalto novo, como uma espécie de granulação, já aparentes com apenas quatro meses de uso.


A cúpula do Dnit/MS à época da restauração, que tinha Marcelo Miranda no comando, foi responsabilizada pelo TCU.  Os remendos e ondulações na pista são aparentes em todos os lotes restaurados.


Ao ver as imagens, o comentário do diretor interino foi “já está assim?”.


Assim mesmo, como alertara um engenheiro especializado em construção de estradas no MS, que não quis se identificar, durante reportagem realizada em julho de 2011.


O texto dizia: “ Formado numa escola de engenharia da cidade de São Paulo e entrando na meia idade, portanto experiente, o engenheiro foi taxativo ao afirmar que os problemas da rodovia estão relacionados à base da estrada, que é a principal camada de sustentação do asfalto”.


 E continuava: “Como a camada de asfalto é um pavimento flexível, não rígido como o concreto, qualquer defeito da base onde ela se apoia e sustenta compromete a pista de rolamento, aparecendo rachaduras, ondulações e o famoso couro de jacaré” (quando o asfalto vai formando pequenas fendas interligadas), garante ele”.


Ou seja, a situação não era desconhecida, ainda mais que o problema passou pela sede do Dnit, em Brasília ( dirigido pelo exonerado Luís Antônio Pagot), pelo TCU e pela Comissão Mista de Orçamento e Fiscalização do Congresso Nacional, presidida pelo então deputado Moka, hoje senador.


Na época, a reportagem procurou todos este setores, e obteve como resposta de cada um deles que as suas providências haviam sido tomadas.
Os resultados estão nas imagens e no vídeo da matéria. Confira:


Jornal Midiamax