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Sheik da comunidade Islâmica do Mato Grosso do Sul fala sobre onda de revoltas no mundo árabe

Comunidade, que conta com mais de duas mil apenas no Mato Grosso do Sul

Arquivo Publicado em 09/10/2012, às 11h08

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Comunidade, que conta com mais de duas mil apenas no Mato Grosso do Sul

A comunidade mulçumana do Mato Grosso do Sul recebeu a reportagem do Midiamax, na Sociedade Beneficente Islâmica de Mato Grosso do Sul – Comunidade Luz da Fé.


Na ocasião, o sheik egípcio Naser Sahim falou sobre o vídeo de quinze minutos chamado “Innocence of Muslims” (Inocência de Muçulmanos) que causou uma onda de protestos pelo mundo islâmico nos últimos dias e sobre a comunidade, que conta com mais de duas mil apenas no Mato Grosso do Sul.


A tradução foi feita por Nassin Jamal Eddin Dharher.


Como o senhor lida com as freqüentes agressões à religião?


Este não é o primeiro vídeo ofensivo ao Profeta Maomé e nem será o último. Sempre houve esse tipo de atitude, porém não ofende apenas os mulçumanos, mas também a liberdade ao passo que desrespeita a religião.


A onda de protestos realizados no mundo árabe refletem o sentimento da comunidade?


A reação varia para cada pessoa, mas a resposta deve ser da mesma forma que o Profeta agiu contra seus inimigos. Quando alguém fizer algo ruim para você faça algo bom para essa pessoa, pois a pessoa ficará seu amigo no futuro.


Todos os dias um homem colocava lixo na porta da casa do Profeta por não acreditar que ele era o enviado de Alá. Um dia, o homem não colocou o lixo em frente a sua porta e o profeta o fez uma visita. O homem não acreditou que pudesse haver uma pessoa que, mesmo tendo recebido tanta mazela, se preocupasse com o próximo e, a partir daí, passou a testemunhar a bondade do profeta.


O profeta nunca reagiu de forma violenta. A maneira de agir deve ser como a que o profeta agiu.


Sobre o boicote praticado pela comunidade islâmica nos dias 24 e 25, o senhor acredita que possa ter algum efeito junto ao site?


A comunidade foi convidada a realizar um boicote ao site Youtube, pois temos o intuito de fazer com que a Google respeite as opiniões dos muçulmanos.


A nação de Islã que pode ficar um mês fazendo jejum pode ficar uns dias sem estes serviços que nos ofendeu. Vamos juntos fazer essa diferença e obrigar a Google ouvir a nossa voz.


A comunidade pretende processar os autores do vídeo?


Entraram com uma ação jurídica no Egito contra as pessoas que participaram do filme, inclusive contra egípcios, pois causaram danos a sociedade muçulmana.


E aqui no Estado, os islâmicos são hostilizados de alguma forma pelos seus hábitos?


Nunca sofremos qualquer tipo de represália ou mal-estar no Brasil. Sempre fomos tratados de forma respeitosa. Não temos qualquer tipo de caso de agressão moral ou verbal.


Por que o senhor escolheu o Brasil e o que observa desde a sua chegada ao país?


Há uma entidade religiosa no Egito, independente do governo, e eles mandam divulgadores do islã para o mundo inteiro.


Quando disse que viria para o Brasil, as pessoas me deram os pêsames, pois consideraram que o país é perdido devido aos seus costumes, mas eu estou muito feliz e alegre com o povo e tenho certeza que eles se enganaram, pois aqui fui muito bem recebido.


Há alguma coisa que o incomoda neste período em que está no país?


O que me incomoda é os mulçumanos estarem se afastando das atividades religiosas. Isso me deixa triste, além da falta de respeito do homem pelo próprio homem, mas isso é de uma forma geral, não específico daqui. Além da violência a que todos estamos sendo submetidos.



É grande a participação da comunidade islâmica sul-mato-grossense nas tradições?


Nossa comunidade conta com mais de duas mil pessoas, principalmente nas cidades de Ponta Porã, Corumbá e Campo Grande, porém nem todos participam ativamente dos ritos. 


Tentamos trazer as pessoas de volta para a religião.


As pessoas que tiverem curiosidade ou interesse pelos ensinamentos podem procurar a mesquita e participar das atividades?


A mesquita está de portas abertas a toda comunidade e para as pessoas que quiserem conhecer os costumes. Ficamos felizes quando recebemos não muçulmanos em visita.


Tratamos os iguais de maneira agradável, por isso temos muito prazer em receber as pessoas que tiverem curiosidade de conhecer nossos costumes e tradições.


Sreviço:


Horário de Funcionamento e Atividades


Sexta-feira


•Sermão e oração: 13:00
Sábado
•Oração da Tarde(Asr): 16:00
•Aula de Fundamentos do Islam para crianças: 15:00 – 16:00
Domingo
•Aula de Acorão: 15:00 – 16:00
•Aula de Idioma Árabe para iniciantes 16:15 – 17:15
Todos os dias
•Oração da Alvorada: 5:00
•Oração do Echá: 20:05
•Sermão curto após a salat(oração) Al Echá.


Avenida América 657, ao lado do Horto das Orquídeas

Jornal Midiamax