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‘Queria asas para ir ao céu ver a mamãe’, diz filho de Eliza Samúdio, veja o vídeo

Mãe da vítima, que está prestes a assistir o julgamento dos envolvidos no desaparecimento e morte de Elisa, diz que o menino já questiona sobre o corpo da mãe.

Arquivo Publicado em 16/11/2012, às 17h03

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Mãe da vítima, que está prestes a assistir o julgamento dos envolvidos no desaparecimento e morte de Elisa, diz que o menino já questiona sobre o corpo da mãe.

Prestes a participar do julgamento dos envolvidos no desaparecimento e morte de Eliza Samúdio, a mãe da vítima, D. Sônia Fátima Moura, 46 anos, diz que um questionamento não sai da sua cabeça: Como explicar ao neto onde está o corpo de sua mãe?


A modelo, na época com 24 anos, ficou grávida do goleiro Bruno Fernandes em maio de 2009. Eles tiveram um relacionamento conturbado, sendo que Bruno é acusado de sequestrá-la e ser o mandante da sua execução. Já crescido, o menino ‘Bruninho’, atualmente com dois anos e nove meses, parece entender tudo o que está acontecendo.


“Esta semana mesmo ele queria saber o que acontece com o corpo de uma pessoa quando ela morre. Eu disse a ele que vai para um lugar chamado cemitério, porém no caso da minha filha não tenho onde levá-lo. É por isso que quero os restos mortais dela para enterrar e com isso ele ter o direito de saber realmente tudo o que aconteceu com a minha filha”, diz emocionada D. Sônia.


Ao lado de inúmeras fotos que ela sempre mostra ao neto, onde parte da infância, juventude e até mesmo a gravidez de Eliza estão registradas, D. Sônia afirma que, desde o início, sempre deixou bem claro quem na verdade seria a mãe dele.


“Como figura paterna não adianta, ele só se refere ao meu marido como pai. Mas, mesmo ele me chamando de mãe, sempre contei a ele sobre a Eliza, já tentando explicar de maneira suave parte da sua história. Sobre o Bruno eu nunca mostrei fotos, mas esses dias estava folheando uma revista e, quando ele viu o pai e o ‘Macarrão’, apontou o dedo em direção a dupla, dizendo que seriam dois homens maus”, comenta a avó.


Guarda do neto


Sobre a possibilidade de entregar o neto, caso o pai biológico exija a sua paternidade assim que for solto, D. Sônia é enfática: “Será uma guerra se ele pensar em fazer isso. Ele não quis o filho quando Eliza estava grávida, tentou matá-lo, jogou na favela e agora vai querer alguma coisa. Que pai é esse?”, questiona D. Sônia.


Indignação e Revolta


Só em falar em Bruno e Macarrão, que segundo a polícia seriam respectivamente o mandante e executor do assassinato de sua filha, ela muda o tom da voz. Recentemente, em entrevista ao Fantástico, ela disse não sentir raiva do acusado, porém, mais uma vez questionada pelo Midiamax, a resposta foi bem diferente. 


”Naquele dia realmente disse que não, mas, pra falar a verdade, meu sentimento oscila muito. Já estive frente a frente com ele e percebi a sua frieza, passei até mal, principalmente porque ele gesticulava para um amigo, me chamando de ‘cara de pau’, como se eu tivesse algo a ver com o crime cometido. Então a revolta e a indignação infelizmente sempre estão presentes na minha vida”, argumenta a mãe de Eliza.



Mesmo distante dos envolvidos, ela disse já ter recebido ameaças, algo que a assustou muito, mas que ela prefere não entrar em detalhes. “Hoje consigo raciocinar e falar com mais clareza. Mas neste período perdi 26 kg, sendo que nos últimos meses recuperei sete. É muito complicado ouvir o que as pessoas falam, como por exemplo, dizer que ela está viva. Tenho certeza que ela jamais deixaria o filho sozinho”, garante a mãe de Eliza.


Do início do relacionamento de Eliza com Bruno ela não sabe detalhar. “Fiquei sabendo pela imprensa. Minha filha morava em São Paulo e esteve por três vezes em Curitiba. Ela soube de abusos do pai contra a irmã por parte de pai e fugiu de casa, sendo que me informaram do fato somente oito meses depois”, diz Sônia.


Desaparecimento


Desde então, não conseguia mais trabalhar direito. “Um cliente me perguntou o que estava acontecendo, porque eu parecia preocupada e contei a ele, que por sorte conhecia um policial que procurava por pessoas desaparecidas. Ele pegou todos os dados da minha filha e no outro dia conseguiu entrar em contato com ela e repassar o meu telefone, no dia 2 de novembro de 2006”, afirma.


A conversa no celular foi de saudades e alívio. “Ela me contou que estava morando com uma amiga, trabalhando como modelo em eventos onde estavam presentes jogadores de futebol. Mantemos o contato e ela sempre me respeitou muito, me chamando de senhora a todo o momento. Foi então que anos depois ela desapareceu novamente e só fui saber onde ela estava quando falaram do seu desaparecimento pela imprensa”, diz D. Sônia.


De lá para cá momentos tortuosos e de alegria marcam a sua vida, provenientes da criação do neto. Agora, com as malas quase prontas, ela partirá neste final de semana para Contagem (MG), onde acompanhará o julgamento que segundo ela está previsto para ter a duração mínima de dez dias. “Quero que eles sejam condenados”, finaliza a mãe de Eliza.

Acompanhe o vídeo com a entrevista:

Jornal Midiamax