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Pronera-MS forma primeira turma de cientistas sociais do Brasil

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) vai celebrar hoje 19 horas na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados/MS a formatura do primeiro grupo de licenciatura em ciências sociais no Brasil, sendo também o primeiro no ensino superior em Mato Grosso do Sul, através do referido processo de ensino superior. O […]

Arquivo Publicado em 13/12/2012, às 14h09

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O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA) vai celebrar hoje 19 horas na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados/MS a formatura do primeiro grupo de licenciatura em ciências sociais no Brasil, sendo também o primeiro no ensino superior em Mato Grosso do Sul, através do referido processo de ensino superior.


O PRONERA é desenvolvido a nível nacional pelo Governo Federal com o método de parcerias entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) com universidades estaduais e federais, entidades e organizações sociais que atuam no campo como, por exemplo, o MST, CPT, MMC, Fetagri, escolas agrícolas e outras associações. Foi uma conquista dos movimentos de trabalhadores do campo com o objetivo inicial de lutar pela alfabetização e escolarização nos assentamentos da reforma agrária.


A cerimônia de hoje na UFGD significa para muitos trabalhadores e trabalhadoras do campo de MS a culminação do processo mais alto até agora na Escolarização formal dos trabalhadores rurais assentados, pois, cumpriram com o desafio de terminar o ensino superior. Para chegar à formatura em ciências sociais, os 56 acadêmicos que receberão seus diplomas, passaram por processos de escolarização, capacitação pedagógica, foram multiplicadores e alguns ainda se iniciaram com a alfabetização.


“Despertamos nossos pensamentos adormecidos”


O curso pensado e voltado para a realidade dos assentamentos da reforma agrária e que hoje celebrará a formatura e o sonho de muitas camponesas e muitos camponeses durou quatro anos e meio.


“Esperamos que o mesmo viesse a contribuir, despertar nossos pensamentos adormecidos, pois, como diz Marx só o conhecimento liberta”, diz com a felicidade estampada no rosto Rosangela Fátima Correia Ávila, mãe de três filhos, agricultora e assentada. Indicou também que para todos os formandos significa uma conquista, não apenas pessoal senão fundamentalmente das organizações populares do campo e de muitas pessoas das universidades que lutaram para que o curso fosse implementado durante dois anos. “Hoje sou uma pessoa conhecedora de seus direitos e ao mesmo tempo posso contribuir de forma voluntária com aqueles menos informado. É preciso que venham outros cursos; a CPT também faz parte desta história”, acrescentou a novel cientista social.


“Somos vitoriosos num espaço que foi negado”


Muitas camponesas e camponeses ficaram sem alfabetização, escolarização e capacitação não porque quiseram senão porque não tiveram oportunidade. “Infelizmente o conhecimento não é um direito de todos, pelo menos não na sua plenitude. Creio que após esse curso os assentamentos de onde vieram esses companheiros e companheiras jamais serão os mesmos”, assinalou Rosângela. Significou finalmente que “o conhecimento é a arma mais eficaz para a luta da classe trabalhadora e a prova está aqui; nós somos vitoriosos num espaço que historicamente foi negado”.

Jornal Midiamax