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Principal destino do Ciência sem Fronteiras, Universidade de Coimbra formou a elite brasileira até a década de 1940

A Universidade de Coimbra é o principal destino dos estudantes do Programa Ciência Sem Fronteira em Portugal. Segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), dos 783 estudantes de graduação enviados a Portugal pela agência, 361 foram alocados na Universidade de Coimbra. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) […]

Arquivo Publicado em 01/12/2012, às 17h27

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A Universidade de Coimbra é o principal destino dos estudantes do Programa Ciência Sem Fronteira em Portugal. Segundo dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), dos 783 estudantes de graduação enviados a Portugal pela agência, 361 foram alocados na Universidade de Coimbra. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) não forneceu o número nem a distribuição de bolsistas pelo país.

A estimativa da Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra (Apeb-Coimbra) é que cerca de 2,5 mil estudantes brasileiros freqüentem as aulas de diversos cursos (exatas, biomédicas e humanas) e em diferentes níveis (da graduação ao pós-doutorado). Além de receber o maior número de estudantes brasileiros do programa, cabe à Universidade de Coimbra secretariar a recepção dos alunos e distribuir os bolsistas por todas as universidades e instituições em Portugal.

A Universidade de Coimbra é uma referência histórica para o Brasil desde a época colonial. A instituição, uma das mais antigas da Europa (século 13), acolhe brasileiros desde o século 16. Segundo o vice-reitor, Joaquim Ramos de Carvalho, 78% dos ministros brasileiros, entre 1822 e 1940, foram estudantes em Coimbra.

Carvalho acredita que o acesso da elite brasileira aos estudos em Coimbra contribuiu para a formação do Brasil como nação, inclusive para a manutenção da extensão do território. “Se houvesse seis universidades no Brasil, muitas pessoas da elite provavelmente não teriam se conhecido”, especula sobre a “capacidade de Coimbra de unir pontes do Brasil que, de outra maneira, nunca se encontrariam”.

“Cada universidade faz uma elite, cada elite faz um país. No caso do Brasil, não. As razões não foram as melhores, mas os portugueses nunca deixaram perder o controle sobre a educação superior na então colônia, de modo que chegamos ao século 19 a um conjunto relevante de pessoas que se conheciam”, explica o vice-reitor.

Segundo ele, essa seria uma das razões para a existência de um país de língua portuguesa e de vários países de língua espanhola na América Latina. “Os espanhóis foram criando universidades à medida que foram colonizando as regiões, desde o século 17. Há uma correspondência de quase um para um das universidades criadas e dos países que hoje existem”, pondera Joaquim Ramos Carvalho.

Atualmente, a Universidade de Coimbra reúne estudantes de 82 nacionalidades. A comunidade universitária equivale a um quarto da população da cidade de Coimbra (cerca de 23 mil pessoas em um total de 100 mil habitantes). Com tal proporção, muito do que ocorre na cidade gira em torno dos alunos da universidade. “É uma cidade dos estudantes”, comenta Viviane Carrico, presidenta da Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra (Apeb-Coimbra), destacando que as opções, tanto culturais quanto de lazer, são inúmeras.

Jornal Midiamax