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Presidente do PT diz que relação com Rosemary era ‘eventual’

Em uma rápida entrevista na tarde desta segunda-feira após um encontro de prefeitos eleitos pelo PT no Rio de Janeiro, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, afirmou que a relação dele com a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha era “eventual”. Ela é acusada de participar […]

Arquivo Publicado em 04/12/2012, às 01h35

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Em uma rápida entrevista na tarde desta segunda-feira após um encontro de prefeitos eleitos pelo PT no Rio de Janeiro, o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, afirmou que a relação dele com a ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha era “eventual”. Ela é acusada de participar de um esquema criminoso infiltrado em órgãos federais, que seria liderado pelo ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Vieira. Falcão disse também que se as acusações contra Vieira forem comprovadas, o PT vai aplicar “suas disciplinas”.

“As investigações estão em processo e ele tem direito de defesa. Se houver comprovação de acusação, o PT analisa e aplica as suas disciplinas, algumas que eventualmente possam caber. O PT não está envolvido nesse caso”, afirmou. A Casa Civil exonerou Rosemary do cargo e abriu investigação interna sobre o caso. Rui Falcão acredita que a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será prejudicada com esse caso.

“Imagino que Lula e Rosemary falassem pela função que ela desempenhava. Agora, quantas vezes e como, eu desconheço. O Lula está associado às grandes transformações que o Brasil viveu nos últimos dez anos e o PT não apoia nenhuma política desse tipo. O governo Lula e Dilma sempre combateram a corrupção, seja reforçando a Controladoria-Geral da União ou reaparelhando a Polícia Federal. O PT não está envolvido, são exceções que não envolvem a estrutura partidária”, salientou Falcão.

Documentos e e-mails encontrados pela Polícia Federal durante a operação Porto Seguro apontam que a suposta quadrilha mantinha relações próximas com o ex-presidente do INSS Mauro Hauschild, demitido há quase dois meses. Paulo Vieira, conforme a PF, é apontado como chefe do grupo e ordenou a um auxiliar, em novembro de 2011, o pagamento de despesas de Hauschild, no valor de R$ 5,8 mil, junto a uma incorporadora de imóveis. Segundo as investigações, meses antes, Vieira havia prestado outro favor ao amigo, levando para a diretoria na ANA a mulher de Hauschild.

Operação Porto Seguro

Deflagrada no dia 23 de novembro pela Polícia Federal (PF), a operação Porto Seguro realizou buscas em órgãos federais no Estado de São Paulo e em Brasília para desarticular uma organização criminosa que agia para conseguir pareceres técnicos fraudulentos com o objetivo de beneficiar interesses privados. A suspeita é de que o grupo, composto por servidores públicos e agentes privados, cooptava servidores de órgãos públicos também para acelerar a tramitação de procedimentos.

Na ação, foram presos os irmãos e diretores Paulo Rodrigues Vieira, da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Além das empresas estatais em Brasília, como a Anac, a ANA e os Correios, foram realizadas buscas no escritório regional da Presidência em São Paulo, cuja então chefe, Rosemary Nóvoa de Noronha, também foi indiciada por fazer parte do grupo criminoso. O advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves, também foi indiciado durante a ação.

Exonerada logo após as buscas, Rosemary ela teria recebido diversos artigos como propina. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, em troca do tráfico de influência que fazia, ela chegou a ganhar um cruzeiro com a dupla sertaneja Bruno e Marrone, cirurgia plástica e um camarote no Carnaval do Rio de Janeiro.

O inquérito que culminou na ação foi iniciado em março de 2011, quando, arrependido, Cyonil da Cunha Borges de Faria Jr., auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), procurou a PF dizendo ter aceitado R$ 300 mil para fazer um relatório favorável à Tecondi, empresa de contêineres que opera em Santos (SP). O dinheiro teria sido oferecido por Paulo Rodrigues Vieira entre 2009 e 2010. Vieira é apontado pela PF como o principal articulador do esquema. Na época, ele era ouvidor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e conselheiro fiscal da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Em decorrência da operação, foram afastados de seus cargos o inventariante da extinta Rede Ferroviária Federal S.A., José Francisco da Silva Cruz, o ouvidor da Antaq, Jailson Santos Soares, e o chefe de gabinete da autarquia, Enio Soares Dias. Também foi exonerada de seu cargo Mirelle Nóvoa de Noronha, assessora técnica da Diretoria de Infraestrutura Aeroportuária da Anac. O desligamento ocorreu a pedido da própria Mirelle, que é filha de Rosemary.

Jornal Midiamax