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Prefeito confirma 22 desaparecidos em desabamento no centro do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), confirmou nesta quinta-feira (26) que o desabamento de três prédios no centro do Rio na noite de ontem provocou quatro mortes já confirmadas e deixou pelo menos 22 pessoas desaparecidas. As equipes de resgate, no entanto, contabilizam cinco corpos encontrados. A prefeitura não confirma. As identidades […]

Arquivo Publicado em 27/01/2012, às 00h32

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), confirmou nesta quinta-feira (26) que o desabamento de três prédios no centro do Rio na noite de ontem provocou quatro mortes já confirmadas e deixou pelo menos 22 pessoas desaparecidas. As equipes de resgate, no entanto, contabilizam cinco corpos encontrados. A prefeitura não confirma.


As identidades da maioria das vítimas foram fornecidas por parentes que estão recebendo auxílio psicológico na Câmara de Veradores, próxima ao local do acidente. São 20 pessoas que possivelmente trabalhavam nos edifícios, quatro moradores de rua e duas pessoas que “se evadiram”, de acordo com o subsecretário da Defesa Civil municipal, coronel Márcio Mota.


“Essas duas pessoas não deixaram qualquer tipo de contato”, explicou.


Segundo o representante do governo municipal, os trabalhos do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil vão continuar nesta sexta-feira (27). A expectativa é a de que todos os escombros sejam retirados até o começo da próxima semana.


“Nós continuamos com o foco naquilo que é o mais relevante que são as vidas humanas que sofrem nesse momento. A prioridade agora é facilitar o trabalho do Corpo de Bombeiros. Queremos que eles tenham totais condições de desempenhar suas funções sem que haja risco para esses profissionais”, disse o prefeito.


Cerca de 30 caminhões da prefeitura deslocados para o trabalho já levaram mais de 15 mil toneladas de destroços do local, o que corresponde a cerca de 30% do total. Todo o material está sendo levado para um depósito municipal situado na zona portuária, e posteriormente para o aterro de Gramacho, na Baixada Fluminense.


Os acessos a cinco prédios da rua Treze de Maio estão totalmente bloquados –a situação só será normalizada na segunda-feira (30). A prefeitura afirma que não há “qualquer tipo de risco estrutural” para esses imóveis, mas as interdições foram determinadas por questão de prevenção.


“Vamos o manter o mesmo esquema de interdições e bloqueios para facilitar o trabalho dos bombeiros. Os prédios da rua Treze de Maio continuam com acesso bloqueado, e os bloqueios de trânsito também permanecem. Continuamos pedindo que as pessoas não se dirijam aos seus locais de trabalho, amanhã”, disse o prefeito.


As demais mudanças consistem no bloqueio da avenida Almirante Barroso, entre a avenida Rio Branco e a Senador Dantas, e a inversão de sentido na rua Senador Dantas.


“Se alguém precisar de alguma coisa em caráter de urgência, como a busca de um remédio ou um exame, por exemplo, podemos até avaliar com a subprefeitura e a Guarda Municipal a possibilidade de abrir uma exceção”, disse Paes.


Luto e vítimas


Mais cedo, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), decretou luto oficial de três dias no Estado em memória das vítimas. O decreto será publicado no Diário Oficial do Estado desta sexta-feira (27), segundo nota oficial do governo.


Todos os feridos atendidos na rede pública de saúde já receberam alta, segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde.


Cinco feridos foram encaminhados ao hospital municipal Souza Aguiar. Quatro deles foram atendidos entre ontem e hoje e já foram para casa: um homem que sofreu apenas escoriações leves; Alexandro Santos, 31, que estava dentro de um dos elevadores do edifício Liberdade e conseguiu ser resgatado após entrar em contato com um amigo pelo celular; um homem de 50 anos, com ferimentos na perna e lesão na córnea; e um homem de 37 anos, com dores abdominais.


A quinta vítima atendida, uma mulher de 28 anos, sofreu um corte na cabeça e passou por cirurgia no hospital. Durante a tarde ela foi transferida, com quadro estável, para a clínica particular Casa de Portugal –procurada pela reportagem, a assessoria da unidade hospitalar disse que não está autorizada pela família a dar informações sobre a vítima.


Um sexto ferido, uma mulher de 48 anos com escoriações superficiais, foi atendido no hospital Getúlio Vargas, mas já foi liberada, segundo a Secretaria Estadual de Saúde.


Explosão por gás é pouco provável


Questionado sobre as possíveis causas do desabamento em série, Paes afirmou que ainda não é possível dar “respostas definitivas”, porém descartou totalmente a hipótese de explosão. “A possibilidade de explosão é quase igual a zero, sendo o zero por minha conta”, disse.


“Estamos compilando as informações fornecidas pelos profissionais que estiveram no local, e tudo será checado antes de que tenhamos uma resposta definitiva. Ninguém sabe responder ainda se foi por dano estrutural ou algo do tipo. São várias hipóteses que serão estudadas e analisadas”, afirmou.


“Não é normal que três prédios desmoronem no centro do Rio de Janeiro. Não podemos achar que isso é normal. Vamos avaliar a situação geral dos prédios do centro assim que isso tudo passar”, completou o prefeito.


De acordo com Paes, a Polícia Civil já está investigando as circunstâncias do desastre. As diligências serão conduzidas pela 5ª Delegacia de Polícia (Mem de Sá), e os mesmos invetigadores que trabalharam no caso da explosão do restaurante Filé Carioca, em outubro do ano passado, vão tentar identificar as causas da tragédia de ontem.


“Trinta minutos depois do acidente, a Polícia Civil já estava lá colhendo depoimentos e investigando. Tudo será checado através do trabalho de perícia”, explicou.


Crea diz que obras eram irregulares


O presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia (Crea), Luiz Antonio Cosenza, confirmou que estavam sendo realizadas obras no terceiro e no nono andar do edifício Liberdade. Já o engenheiro civil Antônio Eulálio Pedrosa Araújo, consultor do Crea, afirmou ainda que as obras eram ilegais, pois não tinham autorização do conselho.


“Quando o elevador abria no terceiro andar, era possível ver as colunas do prédio sendo marteladas. Eles estavam quebrando tudo”, relembra Teresa Andrade, sócia da empresa BV Cred, correspondente do banco Votorantim, que ficava no 16º andar do prédio. Ela trabalhava no local há três anos e diz que a reforma no terceiro andar acontecia havia seis meses.


Jornal Midiamax