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Por salários em dia e instrumentos cirúrgicos novos, neurologistas evitam internações

Médicos da neurologia e neurocirurgia denunciam que Santa Casa está atrasando salários e que equipamentos já passaram do tempo para trocar. Além disso, escala de plantão está operando com metade do mínimo indicado.

Arquivo Publicado em 11/12/2012, às 19h56

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Médicos da neurologia e neurocirurgia denunciam que Santa Casa está atrasando salários e que equipamentos já passaram do tempo para trocar. Além disso, escala de plantão está operando com metade do mínimo indicado.

Desde as 7h da manhã dessa terça-feira, 11, os médicos neurologistas que atendem na Santa Casa de Campo Grande estão trabalhando com sistema padronizado. Isso para pressionar a instituição a cumprir o que eles consideram o mínimo necessário para atender: troca de equipamentos antigos, aumento do número de profissionais para atender no plantão e salários em dia.

De acordo com o coordenador da neurologia e neurocirurgia da Santa Casa, Donald Mendez, até que a reivindicações sejam atendidas, os médicos do setor vão ‘excluir’ certos pacientes. “Vamos atender a todos, mas aqueles sem gravidade vão ter que procurar atendimento ambulatorial. Não estamos internando”, alerta.

Donald revela que está atendendo na Santa casa há oito anos e nesse período nunca houve troca dos instrumentos usados nas cirurgias. Para se ter uma ideia da defasagem, um equipamento usado para cortar ossos está totalmente sem fio, ou seja, para efetuar cortes é preciso empregar muita força física.

Outra reclamação é sobre o número de médicos neurologista por plantão. O coordenador do setor afirma que o ideal seriam dois, mas atualmente apenas um profissional atende. “Recebemos muitos pacientes, especialmente acidentados no trânsito, sem contar os que caem e batem com a cabeça ou sofrem AVC (derrame”, explica. Ele saliente que o Hospital Regional (HR) e o Hospital Universitário (HU) possuem centros de neurologia, mas não estão recebendo pacientes. “Questionamos: o que eles (profissionais) fazem lá? Atendem que tipo de paciente então”, diz.

Outro pedido dos neurocirurgiões é sobre salas cirúrgicas. Atualmente ó existe uma, mas o ideal seriam duas. Donald Martinez afirma que como é grande o número de pacientes, muitos passam por cirurgia e ficam no próprio centro cirúrgico aguardando vaga na UTI, que sempre está lotada. De acordo com ele, já aconteceu de paciente sair do operatório e voltar para o pronto socorro por falta de vaga.

Donald revela que há meses todos os médicos da Santa Casa estão recebendo seus salários com atraso. Diante dessa situação já fizeram dois comunicados oficiais para a diretoria clínica e também para o Conselho Regional de Medicina (CRM), mas nem uma medida foi tomada e eles receberam conforme vontade do hospital. “Todas as nossas reivindicações são para melhoria dos pacientes e não nossa.”, finaliza.

Jornal Midiamax