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População reclama de falta de bombeiros no interior de Mato Grosso do Sul

Assim como ocorreu ontem (28), no resgate de um funcionário de uma olaria, que teve o pé sugado por uma máquina de moldar tijolos, bombeiros tiveram de sair da Capital para realizar atendimento.

Arquivo Publicado em 29/08/2012, às 12h18

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Assim como ocorreu ontem (28), no resgate de um funcionário de uma olaria, que teve o pé sugado por uma máquina de moldar tijolos, bombeiros tiveram de sair da Capital para realizar atendimento.

A cidade de Nova Alvorada (distante a 120 quilômetros de Campo Grande) parou ontem para acompanhar o resgate do encarregado de uma olaria, que teve parte da perna sugada pela máquina de moldar tijolos.

Sem a estrutura necessária, como uma guarnição do Corpo de Bombeiros na cidade, o atendimento que deveria ser de urgência durou mais de quatro horas, causando indignação nos moradores da região.


”Sou médico há 24 anos no hospital municipal de Nova Alvorada. Não preciso nem citar exemplos de como os bombeiros são necessários nesta cidade, é só parar para ver o que está acontecendo. Estamos em um local estratégico, que dá acesso as cidades de Ponta Porã, Campo Grande e São Paulo, por exemplo, então é necessário os bombeiros aqui”, diz o clínico geral Tito Gutierrez Viega, 56 anos.


Como a vítima ficou presa às ferragens, bombeiros da Capital, que possuíam os equipamentos necessários, como um desencarcerador e uma máquina de solda para desprender a perna do trabalhador, foram ao local.


E o detalhe é que no caminho um dos veículos teve um problema mecânico e foi à equipe de reportagem do Midiamax, que se deslocava para cobrir o fato, quem encontrou a guarnição na estrada e levou a ferramenta para ajudar no resgate. A utilização não foi necessária, já que outro desencarcerador estava pronto para uso.


Enquanto faziam o socorro, a vítima era ajudada por um amigo, que teve um ato heroico ao segurar um travesseiro por horas e conversar com Tarso, para não o deixar dormir e possivelmente perder os sinais vitais. Ele perdia muito sangue ao mesmo tempo e enfermeiros colocavam morfina por meio do soro.


Naquele momento o tumulto já estava formado. Funcionários não quiseram dar qualquer detalhe sobre como o acidente teria acontecido. Mas quando o assunto era a falta de assistência médica na cidade e a ausência dos bombeiros, muitos queriam ‘meter a boca’.


”Uma cidade de 22 mil habitantes, com uma usina e outra fábrica e sem bombeiros. Sempre que acontecem queimadas nas estradas, quem faz o resgate é uma equipe de prontidão da usina que vai lá apagar. E sabemos que há quatro anos, um terreno foi doado para os bombeiros e a Polícia Militar, então faz tempo que já deveria ter uma guarnição”, fala um comerciante da região.


Bombeiros dizem que atraso no atendimento foi recompensado com a agilidade do transporte aéreo


”O local é estratégico sem dúvida, mas também tivemos o pensamento estratégico ao buscar parcerias e levar uma aeronave para a cidade. Ganhamos com a rapidez no transporte da vítima para Campo Grande. O governo do Estado está disposto a implantar várias unidades, mas é necessário que seja firmada uma parceria com as prefeituras para a implantação de um quartel”, afirma o coronel Joilson De Paula, chefe da comunicação dos bombeiros.


Em Mato Grosso do Sul, dos 78 municípios existentes, apenas 23 possuem o Corpo de Bombeiros. “É necessário um trinômio de equipamentos, corpo humano e estrutura física. E o número de ocorrências na cidade também deve justificar o investimento. Às vezes, o custo de manter uma guarnição é muito maior do que deslocar uma aeronave e realizar o pré atendimento hospitalar. Por isso estamos investindo e em breve teremos uma aeronave em Campo Grande”, avalia o coronel De Paula.


Vítima já saiu do centro cirúrgico e está sob cuidados médicos na enfermaria


Com relação à vítima, nesta quarta-feira (29), a assessoria de comunicação da Santa Casa informou que a vítima já teria saído do Centro Cirúrgico e está em estado estável, sob cuidados na enfermaria do hospital.


Acompanhe o vídeo da transferêrncia da vítima por helicóptero do Exército

Jornal Midiamax