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Parlamentares insatisfeitos entregam relatório paralelo da CPMI do Cachoeira

Insatisfeito com o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, um grupo de parlamentares ditos independentes entregou hoje (22) ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação para que o Ministério Público Federal aprofunde as investigações de dados que não foram analisados pela CPMI.  No documento, com 88 páginas, o grupo aind...

Arquivo Publicado em 22/11/2012, às 16h39

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Insatisfeito com o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, um grupo de parlamentares ditos independentes entregou hoje (22) ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, representação para que o Ministério Público Federal aprofunde as investigações de dados que não foram analisados pela CPMI. 


No documento, com 88 páginas, o grupo ainda reitera o apoio a Gurgel e pede o indiciamento de pessoas que, segundo eles, receberam recursos públicos pagos de forma fraudulenta à empreiteira Delta Construção.


“Em razão de questões políticas partidárias, a CPMI não avançou. Isso significa que perdemos tempo, e o lixo não foi mostrado à sociedade brasileira. O ideal é a representação e fizemos isso ao entregar o documento ao procurador-geral da República”, disse o senador Pedro Taques (PDT-MT).


“A CPMI poderia ter investigado mais, sobretudo, aquelas pessoas fantasmas que receberam milhões de reais da Delta, que recebeu dinheiro do Tesouro Nacional via Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]”, acrescentou Taques.


O então diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot foi exonerado da entidade em meio a denúncias de corrupção. Em depoimento à CPMI, ele disse não renegar sua gestão e que poderia prestar esclarecimentos, inclusive, em uma eventual CPI do Dnit. “Deixei a autarquia sem ter medo do passado”, disse ao depor no colegiado em agosto. Na mesma ocasião, sobre a Delta, Pagot disse que esteve em algumas ocasiões com o ex-dono da construtora Fernando Cavendish e o representante da empreiteira no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, apontado pela Polícia Federal como um dos integrantes da quadrilha de Cachoeira.


De acordo com o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), os governistas na CPMI impediram o aprofundamento das investigações de uma organização criminosa muito maior do que a chefia pelo bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Por esta razão, enfatizou, o grupo de parlamentares elaborou a representação.


“Começamos em torno da organização do Carlinhos Cachoeira e descobrimos que há uma organização muito maior, que movimenta volume de recursos extraordinários. Essa organização se espalhou por vários estados e se apropriou de recursos público, dentro do governo federal, particularmente no Dnit”, ressaltou Lorenzoni. Segundo ele, o esquema chefiado pela Delta movimentou cerca de R$ 540 milhões.


Ontem (21), Odair Cunha disse que aceita fazer mudanças no relatório. “O relatório é da comissão. Não queremos fazer nenhum cavalo de batalha. O que fiz foi apresentar minhas convicções sobre as pessoas que se envolveram com a organização criminosa e dela participaram”, explicou Odair Cunha. Ao sugerir o indiciamento de 46 pessoas que se envolveram com o esquema montado por Cachoeira, o relator destacou que individualizou a  conduta de todas as pessoas envolvidas com o grupo.


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que a representação vai ajudar o Ministério Público a continuar as investigações. “Certamente, há informações para que o Ministério Público dê continuidade aos trabalhos.”


Alvo do relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), que em no parecer final pede que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue a conduta do procurador-geral por não ter dado prosseguimento às investigações quando recebeu o inquérito da Operação Vegas, Gurgel volta a dizer que, na ocasião havia apenas fatos “diminutos”.


“Tenho ressaltado que tivemos uma opção estratégica de investigação que se comprovou bem-sucedida”, ponderou Gurgel. Segundo ele, o inquérito da Operação Vegas tratava apenas de questões ligadas a jogos ilegais e o fato de não ter autorizado a continuidade das investigações resultou na descoberta de um esquema muito mais sofisticado. “Hoje, percebemos que na operação subsequente [Monte Carlo] identificamos algo muito maior”, acrescentou o procurador-geral.

Jornal Midiamax