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Para pressionar STF, grupo faz vigília contra o mensalão em SP

Manifestantes promoveram na noite desta quarta-feira uma vigília, na avenida Paulista, em São Paulo, para marcar o início do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), como ficou conhecido o escândalo político que abalou o governo Lula em 2005. Integrantes de dois grupos, Revoltados e Nas Ruas, acenderam velas e soltaram rojões enquanto gritavam […]

Arquivo Publicado em 01/08/2012, às 23h20

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Manifestantes promoveram na noite desta quarta-feira uma vigília, na avenida Paulista, em São Paulo, para marcar o início do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), como ficou conhecido o escândalo político que abalou o governo Lula em 2005.

Integrantes de dois grupos, Revoltados e Nas Ruas, acenderam velas e soltaram rojões enquanto gritavam palavras de ordem em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP): “O povo decidiu. Ou para a roubalheira ou paramos o Brasil”, entoava um dos líderes do grupo, seguido por pouco menos de 20 pessoas.

De acordo com Carla Zambelli, 32 anos, integrante do Nas Ruas, o objetivo do protesto é pressionar os ministros a julgarem o processo até o final das eleições. “É o maior caso de corrupção da história do País. Se eles não julgarem até lá (7 de outubro), os culpados vão continuar no governo ou vão conseguir se eleger. É para mostrar que estamos de olho. Não tem porque adiar o julgamento”, argumentou.

Ainda segundo Carla, a ideia de usar as velas é para passar a mensagem de que o povo ainda acredita na Justiça brasileira. “A questão da vela é um pouco aquela coisa da chama da esperança. A imagem corre o mundo e fica uma mensagem”, explica.

O fundador do Revoltados, Marcelo Reis, diz que os grupos também têm a intenção de criticar a participação do ministro José Antonio Dias Toffoli, juiz do STF que já foi advogado-geral da União no governo petista. “Só queremos dar um aviso ao Supremo que não estamos dormindo. Já está sendo um grande circo, a começar pelo Toffoli”, disse.

O mensalão do PT

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, o ministro Joaquim Barbosa apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

Jornal Midiamax