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Pais impedem filhos de aprender a lidar com a saudade

A saudade sempre esteve ao nosso lado, mas agora essa emoção universal está sendo complicada pelos pais, que utilizam as novas tecnologias para cercar os seus filhos, ligando, escrevendo e mantendo contato permanente com eles. Um dos principais autores da política da Academia Americana de Pediatria sobre prevenção de saudade destacou que muitos calouros chegam […]

Arquivo Publicado em 22/07/2012, às 16h56

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A saudade sempre esteve ao nosso lado, mas agora essa emoção universal está sendo complicada pelos pais, que utilizam as novas tecnologias para cercar os seus filhos, ligando, escrevendo e mantendo contato permanente com eles.


Um dos principais autores da política da Academia Americana de Pediatria sobre prevenção de saudade destacou que muitos calouros chegam à faculdade sem nunca terem se afastado de suas famílias. “Os pais fizeram um ótimo trabalho ao proteger os seus filhos, impedindo que eles saíssem de suas vistas”, afirmou o Dr. Edward Walton, diretor da divisão de emergência pediátrica do Hospital William Beaumont in Royal Oak, Michigan.


Christopher Thurber é psicólogo escolar na Academia Phillips Exeter,em New Hampshire, e autor da política da Academia. Ele realizou diversas pesquisas a respeito de saudade com crianças colocadas em ambientes que variavam de colégios internos e acampamentos a faculdades e hospitais. Segundo eles, três fatores costumavam causar as sensações mais severas de saudade entre as crianças.


O primeiro é simplesmente temperamental: algumas crianças costumam ter mais problemas com qualquer situação nova. O segundo envolve experiências anteriores. Crianças pequenas acostumadas a ficar longe de casa se saíam melhor do que as mais velhas que estivessem longe de casa pela primeira vez.


Thurber afirmou que esses pais incutem preocupações em seus filhos quando descrevem suas próprias dúvidas. Ao invés disso, eles devem reconhecer que pessoas que se amam sentem a falta umas das outras quando estão distantes, demonstrando a confiança de que é possível lidar com isso e aproveitar o tempo que estiverem longe.


Eu descobri a pesquisa sobre saudade quanto estava procurando informações sobre acampamentos de verão. Ela chamou minha atenção tanto como pediatra quanto como mãe.


Eu nunca atuei como médica nesses acampamentos, mas amigos e colegas que já fizeram esse trabalho falam com carinho desses lugares. Segundo me disseram, eles atendem muitos casos de problemas na pele. Picadas de inseto, alergia a urtiga, arranhões, cortes e infecções cutâneas. Casos de infecções virais e gargantas inflamadas.


Mas alguns dos pequenos pacientes que vão à enfermaria só estão com saudade de casa. Dores inexplicáveis ou preocupações exageradas em torno de uma picada podem ser os primeiros sinais.


Além de uma série de reclamações físicas, a saudade pode se revelar como raiva ou desorientação. Os funcionários dos acampamentos precisam reconhecer e se habituar à saudade, explicando que todos passam pelo mesmo sentimento.

Jornal Midiamax