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Pagot relata pressão por arrecadação de verba para campanha de Dilma

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira, o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot voltou a detalhar as pressões de partidos para liberar verbas e conseguir recursos para campanhas eleitorais, incluindo para o PT nas eleições presidenciais que elegeram Dilma Rousseff, em 2010. Pagot ...

Arquivo Publicado em 28/08/2012, às 17h29

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Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira, o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot voltou a detalhar as pressões de partidos para liberar verbas e conseguir recursos para campanhas eleitorais, incluindo para o PT nas eleições presidenciais que elegeram Dilma Rousseff, em 2010.

Pagot afirmou ter recebido do tesoureiro da campanha do PT, José De Filippi, durante o primeiro turno, um pedido para arrecadar recursos junto a empreiteiras com contratos no Dnit. Pagot disse que executou a solicitação e que várias empresas repassaram verbas para a campanha de Dilma. Chegou a até apresentar uma lista com cerca de 40 empreiteiras médias e grandes que tinham contratos com o órgão. Algumas chegaram a enviar os comprovantes para o ex-diretor.” Algumas empresas, não passou de meia dúzia, repassavam os recibos. Depositavam legalmente na conta de campanha. Diversas empresas realmente fizeram a doação”, confirmou.

Em resposta ao deputado Rubens Bueno (PPS-PR), ele relatou que o tesoureiro reapareceu após o segundo turno para pedir mais arrecadações. Pagot disse que teria negado e explicou que as empresas não tinham mais a contribuir.

Em outra parte de seu depoimento, Pagot confirmou o que já havia dito na imprensa a respeito da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Segundo ele, em 2010, Ideli o procurou para tratar de três convênios relacionados ao estado de Santa Catarina. No final da reunião, ela teria dito: “Sou candidata ao governo e preciso que me indique empresas para que eu possa buscar recursos.”

Ele disse que respondeu: “Eu não posso, não devo e não vou fazer isso”. Na época, ele disse ter certeza de que ela ficou contrariada. O descontentamento de Ideli Salvatti foi apontado por Pagot, em entrevistas, como uma das possíveis razões para sua demissão do cargo.

O ex-diretor também falou da relação conturbada com o governo de São Paulo. Respondendo ao relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), Pagot apontou que Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, estatal paulista responsável pela infraestrutura rodoviária do Estado, o pressionou para liberar R$ 264 milhões em aditivos considerados ilegais por ele para a conclusão do trecho sul do Rodoanel. A obra, orçada em R$ 3,6 bilhões, tinha o repasse de R$ 1,2 bilhão da União. Pagot disse que se recusou a assinar o aditivo. “A obra foi contratada em empreitada global. Não tinha como aditivar”, afirmou. Ele relatou também que após a recusa de colaborar, representantes do governo paulista teriam tentando recolher sua assinatura num Termo de Ajuste de Conduta (TAC), apresentado pelo Ministério Público Federal, o que também foi recusado.

Delta

Sobre o crescimento da Construtora Delta nos últimos anos, Pagot disse que a empresa não obteve nenhum privilégio na sua gestão. Respondendo ao deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), Pagot explicou que as obras do PAC teriam gerado um grande aumento na demanda e que muitas empresas, inclusive a Delta, aproveitaram o momento para crescer. “Houve uma carteira maior de obra, um acréscimo brutal na oferta de obras na praça. Inúmeras empresas aproveitaram o momento. Muitas cresceram muito mais que a Delta”, destacou, rechaçando qualquer beneficiamento da empreiteira durante a sua gestão no Dnit.

Apesar das justificativas, o ex-dirigente do Dnit revelou que o senador cassado Demóstenes Torres lhe fez um pedido para beneficiar a Delta. Segundo ele, o ex-parlamentar pediu para ajudá-lo a conseguir obras para a empresa no Estado do Mato Grosso, durante um jantar em que estava o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, e o representante da construtora no Centro-Oeste, Claudio Abreu. O ex-diretor do Dnit afirmou que Demóstenes, após o jantar, falou reservadamente com ele, e confidenciou que tinha dívidas de campanha com a empreiteira. “Preciso ter alguma obra com meu carimbo, ele disse. Eu falei que lamentava, não podia atendê-lo. Não tinha como o diretor do Dnit ir para o mercado e dizer: reservem uma obra para a Delta”, declarou Pagot à CPI.

Demóstenes teria solicitado que as obras das BRs 242 e 080 no Mato Grosso, ainda em projeto, fossem concedidas à Delta.

Jornal Midiamax