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Oscar Niemeyer não cobrou pelo projeto em Corumbá

Uma marca da genialidade do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, morto na noite desta quarta-feira, 05 de dezembro, aos 104 anos, faz parte do cotidiano dos corumbaenses. É dele o projeto arquitetônico da Escola Estadual João Leite de Barros. A instituição de ensino ocupa todo o quarteirão que compreende as ruas Cabral; Antônio João; Joaquim Murtinho […]

Arquivo Publicado em 06/12/2012, às 17h09

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Uma marca da genialidade do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, morto na noite desta quarta-feira, 05 de dezembro, aos 104 anos, faz parte do cotidiano dos corumbaenses. É dele o projeto arquitetônico da Escola Estadual João Leite de Barros. A instituição de ensino ocupa todo o quarteirão que compreende as ruas Cabral; Antônio João; Joaquim Murtinho e Antônio Maria, na área central de Corumbá. A escola foi inaugurada em 1954 com o nome de Maria Leite de Barros. A obra teve início em 1952.



A construção tem uma história no mínimo curiosa por conta da realidade política que imperava no estado de Mato Grosso, ainda integrado. Texto do jornalista Rodrigo Teixeira, publicado em 2008 no site Overmundo conta os episódios que levaram o projeto a ser repetido em Campo Grande.



“A Cidade Branca não tinha uma escola secundária no começo dos anos 50 e os políticos do município e pecuaristas importantes pressionaram [o governador] Fernando Corrêa. Em uma visita ao Rio de Janeiro, o governador encontrou Niemeyer e, aproveitando a oportunidade, pediu ao arquiteto o projeto de uma escola corumbaense. Oscar Niemeyer aceita a empreitada e manda logo em seguida o projeto para a obra em Corumbá sem cobrar nada”, contou o jornalista. O projeto apresenta a escola com formas que remetem a “um livro aberto, um apagador e um giz”. O terreno para a construção foi doado pelo município.



De acordo com o jornalista, pressionado por políticos campo-grandenses, o governador Fernando Corrêa da Costa se viu obrigado a fazer uma réplica da escola em Campo Grande, que recebeu o nome de Maria Constança de Barros Machado. “O ‘clone’ teve o mesmo projeto bolado para Corumbá, o que quebra uma constante de Niemeyer que é nunca fazer a mesma obra duas vezes”, contou Teixeira no texto intitulado “Oscar Niemeyer: a escola clone”. As duas escolas foram construídas simultaneamente.



Atualmente, a escola João Leite de Barros passa por um processo de reforma por parte do Governo do Estado, orçado em R$ 1,5 milhão.


Jornal Midiamax