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Nova perícia constata que assento em que jovem estava no Hopi Hari abre durante a queda

O delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior, que investiga o acidente no parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo (SP) –que matou a adolescente Gabriela Nichimura no último dia 24–, determinou uma nova perícia no assento em que a garota, de fato, estava e foi constatado que a trava da cadeira abre durante a queda do […]

Arquivo Publicado em 01/03/2012, às 01h02

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O delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior, que investiga o acidente no parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo (SP) –que matou a adolescente Gabriela Nichimura no último dia 24–, determinou uma nova perícia no assento em que a garota, de fato, estava e foi constatado que a trava da cadeira abre durante a queda do brinquedo La Tour Eiffel –também conhecido como elevador. Inicialmente, a perícia havia sido feita no assento errado, onde Gabriela não estava sentada.


Após a oitiva de um funcionário que estava no brinquedo no momento do acidente e com o depoimento da mãe e da prima da menina, o delegado e o promotor concluíram que a menina estava, de fato, em uma cadeira que deveria estar interditada. “Hoje, alguns fatos que estavam duvidosos há dois, três dias são certos; essa menina estava em uma cadeira que jamais poderia ser ocupada, e era inoperante há anos. (..) Isso foi possível porque a família nos trouxe a foto da cadeira ocupada por ela”, disse o promotor Rogério Sanches Cunha.


Segundo ele, as fotos mostram Gabriela “sentando e subindo na cadeira inoperante”. De acordo com o delegada Álvaro, a confusão aconteceu porque no dia do acidente, uma testemunha disse que a menina estaria em outra cadeira, e o Hopi Hari, por sua vez, informou que a cadeira onde a menina, de fato, estava, não era mais usada.


“Eu trabalho hoje com um grau máximo de negligência, apuramos inúmeras falhas que acabaram dentro da sucessão de erros provocando a morte de Gabriela”, completou Cunha.


Funcionários do parque
Dois funcionários do Hopi Hari que estavam trabalhando no brinquedo prestaram depoimento nesta quarta (29). Ao chegar ao local, o advogado dos funcionários –que não foram identificados– disse que os clientes iriam apresentar uma versão diferente da divulgada pelo parque. Segundo o defensor Bichir Ali Junior, a falha foi mecânica e os responsáveis sabiam do problema. “Detectou-se um defeito, foi avisado e foi ignorado. O brinquedo não podia operar, isso era notório e de conhecimento de todos. Aquela cadeira, no mínimo, tinha que ser interditada, lacrada, com um aviso gigantesco para ninguém sentar ali. A cadeira do acidente da menina já tinha um defeito mecânico detectado”, afirmou.


Segundo Ali Junior, o defeito foi informado a um superior dos funcionários no dia do acidente, 15 minutos antes do brinquedo entrar em operação, mas foi ignorado. O advogado disse ainda que a menina foi a primeira a usar a cadeira. “O problema estava na trava, o cinto é a segunda segurança, mas também não havia esse cinto, segundo o que os meninos falaram.”


O advogado também negou que seus clientes estivessem em tratamento médico. “A versão apresentada pelo parque foi a de que cinco funcionários estariam em tratamento psicológico. Mas dois estão aqui. Os outros três não sei onde estão, mas não existe essa versão”, afirmou.


Uma perícia na última segunda-feira mostrou que o brinquedo não tinha problemas mecânicos, mas o advogado dos pais da vítima, que também estiveram na delegacia hoje, contestou o exame e disse que a avaliação foi feita em uma cadeira errada. De acordo com o defensor Ademar Gomes, Gabriela estava em uma cadeira desativada, que não poderia ser usada. “A perícia foi feita na cadeira errada”, disse.


Abalados, os pais da jovem, Silmara e Armando Nichimura, não deram declarações à imprensa. Ademar Gomes afirmou que foram ouvidas a mãe, a tia e a prima da adolescente –o pai não falou e a família deverá voltar à delegacia em uma outra ocasião, em data ainda não definida.


Em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, a mãe de Gabriela afirmou que notou a ausência de um cinto na cadeira do brinquedo La Tour Eiffel, conhecido como elevador, de onde a jovem caiu. “Eu falei para a minha filha: ‘Está travado?’ Ela falou: ‘Mãe, está travado’. Só que tem um outro fecho, como se fosse um cinto, e eu observei que o dela não tinha esse fecho”, afirmou. “Só que tinha um funcionário do parque no momento e falou para mim: ‘Não tem problema. É seguro’”, completou Silmara. Em nota divulgada no final da tarde desta quarta, o Hopi Hari informou que, “em relação aos novos fatos, reitera veementemente a cooperação absoluta com todos os órgãos responsáveis na apuração definitiva deste caso”.


O acidente
O acidente ocorreu por volta das 10h30 de sexta-feira (24). A garota foi levada para o hospital Paulo Sacramento, em Jundiaí (SP), mas não resistiu. Ela teve traumatismo craniano seguido de parada cardíaca.


O parque fica no km 72,5 da rodovia dos Bandeirantes. O brinquedo onde ocorreu o acidente tem 69,5 metros de altura, o equivalente a um prédio de 23 andares. Na atração, os participantes caem em queda livre, podendo atingir 94 km/h, segundo informações do site do parque.


Em nota, o Hopi Hari informou que “lamenta profundamente o ocorrido” e que “está prestando toda a assistência à família da vítima e apoiando os órgãos responsáveis na investigação sobre as causas do acidente”.


Jornal Midiamax