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Mulheres são maioria quando se trata de menores salários

Em 2000, 109 mil mulheres estavam inseridas no mercado de trabalho formal, passados dez anos a soma é de 227 mil.

Arquivo Publicado em 08/03/2012, às 16h51

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Em 2000, 109 mil mulheres estavam inseridas no mercado de trabalho formal, passados dez anos a soma é de 227 mil.

Segundo estudo realizado pelo economista Áureo Torres, em Mato Grosso do Sul, 54% dos trabalhadores que recebem menos de um salário mínimo são mulheres. Do total de 22.956, 12.588 são do sexo feminino.


Torres diz, que provavelmente, as mulheres representam a maioria dos trabalhadores com baixos salários porque serviços que remuneram pouco como: domésticas, diaristas e serviços gerais, geralmente, são feitos por elas.


Trabalhando em uma empresa prestadora de serviços gerais, Aparecida Gomes dos Santos fez parte da estatística por muitos anos. Quando atuava como diarista não recebia nem um salário mínimo por mês para cuidar dos dois filhos, Wesley e Wendel.


Hoje, com registro em carteira e pouco mais de um salário, Cida, como prefere ser chamada, comemora a conquista dos seus direitos. “Agora tá muito melhor, tenho registro em carteira, tudo certinho”, diz.


Apesar de trabalhar desde sempre, como ela mesma diz, apenas há um ano e meio entrou para o mercado formal. Como ela, de 2000 até 2010, 118.442 mulheres entraram para o mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul.


O número representa crescimento de 4,2% em relação à participação feminina no estado, passando de 36,3% para 40,5% a ocupação no mercado de trabalho, revela o estudo.


Em 2000, 109 mil mulheres estavam inseridas no mercado de trabalho formal, passados dez anos a soma chegou a 227 mil.


Os setores econômicos que mais cresceram foram: administração pública, com 37 mil, serviços, 30 mil e comércio, 25 mil. Estes também são os setores que mais empregam mulheres: administração pública, 78 mil (58%), serviços 70 mil (49%) e comércio, 42 mil (39%).


Mudança


O mercado de trabalho está mudando. O setor onde o emprego feminino mais cresceu relativamente foi indústria de transformações 279%, sendo 6,7 mil empregos em 2000 para 25,4 mil empregos em 2010.


Na construção civil passou de 641 para 2.228 trabalhadoras, crescendo 248%. Cursos na área têm sido feitos exclusivamente para as mulheres.


Célia Regina de Jesus fez curso de pintora de obra, ela conta que sempre quis fazer o curso e não acha o trabalho masculino, ao contrário, vê crescimento neste mundo para elas. “Pretendo no futuro montar uma empresa só com mulheres”.


Melhores salários


A faixa de renda que mais cresceu o emprego feminino foi de 1,01 a 1,5 salário mínimo, passando de 18.050 mulheres nesta faixa para 82.288.


Em 2000 havia 1.536 mulheres na faixa de renda acima de 20 salários mínimos, em 2010 passou para 2.079. Destas 1.375 estão na administração pública e 649 no setor de serviços.

Jornal Midiamax