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Motoristas se defendem de mortes de animais na BR-262 e provocam divergência

Apontados como os principais culpados pela morte de animais silvestres na BR-262, no trecho entre Anastácio e Corumbá, por conta da alta velocidade e falta de atenção, os motoristas se defendem e dizem que o maior problema é a falta de visibilidade na estrada devido à densidade da vegetação. Os dados estão em uma pesquisa […]

Arquivo Publicado em 27/08/2012, às 13h29

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Apontados como os principais culpados pela morte de animais silvestres na BR-262, no trecho entre Anastácio e Corumbá, por conta da alta velocidade e falta de atenção, os motoristas se defendem e dizem que o maior problema é a falta de visibilidade na estrada devido à densidade da vegetação. Os dados estão em uma pesquisa do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).


Pela pesquisa, 59,2% dos moradores que habitam comunidades próximas à rodovia, aldeias indígenas e assentamentos, os principais motivos da morte de animais silvestres por atropelamento no trecho da BR que cruza o Pantanal, são o descuido e o excesso de velocidade. Os professores de escolas municipais de Anastácio, Miranda e Corumbá também foram ouvidos e 71% compartilham da opinião dos moradores.


Em contraponto, 28,1% dos motoristas ouvidos disseram que o motivo é bem outro. Eles reclamam da falta de visibilidade na rodovia por causa do excesso de árvores em suas margens. Foram consultados caminhoneiros, motoristas de ônibus e de carros de passeio.


A velocidade máxima na BR é de 90 km por hora para carros de passeio e 80 km por hora para caminhões e ônibus. Foram implantadas várias placas de sinalização, indicando inclusive a existência de radares na estrada, mas eles nunca funcionaram. A Polícia Rodoviária Federal que é a responsável pela fiscalização tem problemas de pessoal, um dos motivos da greve da categoria deflagrada na última semana.


Os estudos também apontaram que dos animais mortos entre junho de 2011 e maio de 2012, 610 animais foram atropelados no trecho; 70% eram mamíferos, 23% répteis e 7% aves. Após o período de monitoramento, o Instituto da UFPR deve encaminhar ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão responsável pela obra, um relatório com medidas para reduzir as estatísticas de atropelamento de animais no trecho.


Atualmente são monitorados 284 km de rodovia dentro de um projeto que integra as ações do Programa de Comunicação Social (PCS) que acontece em paralelo às obras de recuperação e implantação de acostamentos em 284 quilômetros da rodovia. Também existe um Programa de Monitoramento de Atropelamento de Fauna na rodovia, coordenado pela bióloga Marcela Barcelos Sobanski, que alerta para a complexidade do problema.


“Durante um ano, desde junho do ano passado, fizemos um monitoramento da rodovia para identificar os locais do trecho que têm maior incidência de acidentes, bem como as espécies mais atropeladas. Com o trabalho que estamos fazendo, várias das causas apontadas nesta pesquisa de opinião podem ser resolvidas”, explica a bióloga.


“Haverá sugestão para que ocorra a supressão da vegetação nas proximidades da rodovia para auxiliar na visibilidade dos motoristas em alguns trechos. Em outros pontos da BR-262, haverá a instalação de cercas. Além disso, outra atitude que deverá ser implantada é a instalação de radares nos trechos com maior incidência de acidentes”, complementa.


Após a avaliação do DNIT e a implantação integral ou parcial das medidas sugeridas pela equipe do ITTI, haverá mais seis meses de monitoramento para verificar a eficácia das medidas. Com informações da assessoria de imprensa do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura.

Jornal Midiamax