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Médicos ameaçam ‘devolver’ hospital público de Dourados

Sem solução para dívidas de R$ 10 milhões, HE pode não renovar contrato para administrar Hospital da Vida

Arquivo Publicado em 09/10/2012, às 11h08

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Sem solução para dívidas de R$ 10 milhões, HE pode não renovar contrato para administrar Hospital da Vida

Médicos do Hospital da Vida de Dourados ameaçam devolver a administração da unidade para a prefeitura. É que a solução para a crise do Hospital não saiu do papel, resultando em dívidas que chegam a quase R$ 10 milhões. O valor é resultado do repasse, feito mensalmente pelo poder público, que é insuficiente devido ao aumento no número de atendimentos de Dourados e região, segundo o diretor clínico do Hospital da Vida, Luiz Arruda Lemes.


Conforme o médico, o prazo para resolver o impasse venceu em agosto sem qualquer sinal positivo. A consequência disso é que a crise que já resultou em protestos, paralisação dos médicos e cortes de serviços, pode culminar na ‘devolução’ dos atendimentos do Sistema Único de Saúde (Sus). Isto, porque, segundo ele, o contrato com o município vence em dezembro, o que leva os profissionais a pressionar o Hospital Evangélico a não renovar o compromisso.


Arruda disse que os 150 médicos que atuam no Hospital da Vida pretendem se reunir em assembléia na próxima semana para definir os rumos do movimento. No entanto, já garantiu que levará a proposta da categoria de pedir a demissão em massa, caso não haja solução para a crise no hospital.


Arruda conta que o primeiro passo será acionar o Ministério Público Federal e Estadual para denunciar que atendem mais do que a demanda prevista em contrato. Outra providência será comunicar o indicativo de demissão às autoridades competentes que terão 90 dias para se reorganizarem.


“Em junho nos reunimos com o Governo do Estado e Prefeitura que afirmaram que até 30 de agosto a situação financeira do Hospital da Vida seria reestabelecida. Isto não ocorreu. Respeitamos o período eleitoral em setembro e outubro para não parecer oportunismo de nossa parte, mas a vida dos pacientes não pode continuar refém da defasagem pela qual passa o hospital”, destaca.


HE


O diretor do Hospital Evangélico de Dourados, Maurício Peralta, explicou que o acordo entre Estado, Prefeitura e HE era o de que o município tentaria se cadastrar numa portaria do Governo Federal que destinaria R$ 490 mil por mês para hospitais da macrorregião. Outros R$ 300 mil seriam de aditivo entre Estado e Prefeitura para manter os atendimentos.


O problema, segundo Maurício, é que apesar dos esforços do poder público, apenas Corumbá e Campo Grande garantiram este benefício. Prefeitura e Estado, segundo ele, estariam mobilizando a bancada federal para garantir uma articulação junto ao Ministro Alexandre Padilha.


PRECARIEDADE


Enquanto não se resolve o financiamento do Hospital, os pacientes sofrem com a crise. A superlotação é um dos principais problemas. Em média, o Hospital da Vida chega a atender 30 pacientes nos corredores. Há dias em que falta espaço até ali.


Os médicos acreditam que o hospital atende hoje 40% a mais do que está pactuado com o município de Dourados em contrato. O problema é que os recursos repassados ao Hospital pelo município não suprem a demanda maior de atendimentos que vêm de Dourados e região. Com isto, segundo os médicos, há cirurgias de altas e médias complexibilidades, vasculares entre outros atendimentos, cujos valores não são ressarcidos ao hospital.


PREFEITURA


A assessoria da secretária municipal de Saúde, Sílvia Bosso, informou ontem que ela estava numa reunião mas que providenciaria informações sobre recursos para o Hospital da Vida e repassaria à redação assim que possível. O mesmo para o Governo do Estado.

Jornal Midiamax