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Judiciário e Ministério Público contestam no STF corte em reajustes

Representantes do Judiciário e o Ministério Público da União (MPU) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a retirada, pelo Executivo, da proposta de reajuste apresentada pelas duas categorias ao Orçamento da União. O governo federal encaminhou a proposta orçamentária ao Congresso Nacional já com o corte relativo ao aumento salarial do Judiciário e do […]

Arquivo Publicado em 19/09/2012, às 01h10

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Representantes do Judiciário e o Ministério Público da União (MPU) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a retirada, pelo Executivo, da proposta de reajuste apresentada pelas duas categorias ao Orçamento da União. O governo federal encaminhou a proposta orçamentária ao Congresso Nacional já com o corte relativo ao aumento salarial do Judiciário e do MPU, o que os representantes consideram inconstitucional. Em mandados de segurança, associações que representam juízes e o MPU alegam que o corte prévio é inconstitucional, pois só cabe ao Legislativo analisar os pedidos de reajuste.

Ou seja, eles querem que a proposta do Judiciário seja mantida no projeto do Orçamento para que os parlamentares decidam sobre a questão. O mandado de segurança do MPU foi protocolado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e distribuído para o ministro Joaquim Barbosa. De acordo com Gurgel, a proposta do MPU respeitava a Lei de Responsabilidade Fiscal e continha a correção dos índices de inflação desde 2009, totalizando reajuste de 29,53%, e a previsão de reestruturação das carreiras dos servidores. Projeto nesse sentido já tramita no Legislativo. Gurgel argumenta que o Executivo desconsiderou parte da proposta mesmo ela estando dentro da lei.

”O ato da presidente da República, além de usurpar competência do Legislativo, afronta a prerrogativa, leia-se o direito líquido e certo, do Ministério Público da União de elaborar sua proposta orçamentária anual e de vê-la apreciada, em sua inteireza, pelo Congresso Nacional”, contesta o procurador. A ação para garantir os valores do Judiciário foi protocolada, em conjunto, pelas três maiores associações de juízes do país – Associação dos Magistrados Brasileiros, Associação dos Juízes Federais do Brasil e Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho. Elas afirmam que o valor previsto para 2013 é menor que a despesa com pessoal prevista na lei orçamentária de 2011, desconsiderando a inflação dos últimos anos. Segundo os juízes, a legislação determina que os subsídios recebidos por magistrados sejam revistos anualmente.

As associações também destacam que algumas carreiras do Executivo – como servidores do Banco Central, do Itamaraty, da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência – receberam reajuste acima da inflação nos últimos anos. ”O Poder Executivo está privilegiando os seus servidores em detrimento dos magistrados e dos servidores do Poder Judiciário, mas o que é grave é que, assim, está fazendo de forma ilegal e inconstitucional”, ressalta trecho do processo, que está sob relatoria da ministra Rosa Weber. Os dois mandados de segurança pedem que a tramitação do projeto da lei orçamentária seja interrompida enquanto a ação não for julgada. Alternativamente, pedem que o STF determine ao Executivo a inclusão da proposta integral, conforme encaminhada pelo MPU e pelo próprio STF. No ano passado, o corte na proposta de orçamento do Judiciário causou polêmica entre os poderes Executivo e Judiciário, quando o então presidente do STF, Cezar Peluso, disse que a redução de valores foi um ”equívoco”.

O Executivo mandou a proposta completa do Judiciário em uma mensagem adicional, mas não alterou o texto já encaminhado ao Congresso. Sobre os cortes atuais na proposta de orçamento, a assessoria do STF disse à Agência Brasil que o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, não vai se posicionar sobre o assunto já que o Tribunal foi acionado para analisar a questão. Já o Palácio do Planalto disse que o assunto deve ser tratado apenas com a Advocacia-Geral da União (AGU). A assessoria da AGU, por sua vez, encaminhou e-mail destacando que o órgão ainda não foi informado sobre os mandados de segurança.

Jornal Midiamax