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Jovem que se prostituía e se drogava aos 16 anos conta como mudou de vida ao conhecer projeto do Sesi

O projeto ViraVida, desenvolvido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), foi responsável por uma mudança radical na vida da adolescente paulista B*, que engravidou aos 16 anos e se prostituía para comprar drogas. Ela contou sua experiência de vida nesta quinta-feira (26), ao participar do 3º Seminário Protagonismo e Juventude, promovido pelo Sesi. O ViraVida […]

Arquivo Publicado em 27/07/2012, às 00h11

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O projeto ViraVida, desenvolvido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), foi responsável por uma mudança radical na vida da adolescente paulista B*, que engravidou aos 16 anos e se prostituía para comprar drogas. Ela contou sua experiência de vida nesta quinta-feira (26), ao participar do 3º Seminário Protagonismo e Juventude, promovido pelo Sesi.


O ViraVida tem o objetivo de promover o aumento da autoestima e da escolaridade dos participantes do projeto, ao oferecer acompanhamento psicológico e qualificação profissional a crianças e adolescentes vítima de crimes sexuais.


“Eu me prostituía não por dinheiro, mas por drogas. As pessoas que eu conhecia usavam e eu ficava com elas para me drogar”, contou B*, aluna do programa ViraVida. Aos 4 anos, a jovem foi retirada do convívio dos pais, que eram usuários de drogas. Adotado por um casal brasiliense, B* não consegui ter um bom relacionamento com a nova família e foi para um abrigo. Lá, ela se envolveu com bebidas, drogas e, por fim, com a prostituição. “Fiquei uns quatro anos em abrigos, até que engravidei, quando tinha 16 anos. Foi quando percebi que tinha que mudar minha vida de alguma forma. Foi nesse momento que conheci o ViraVida”, relatou.


Durante o tempo em que usava drogas, a paulista namorava um rapaz que a apoiava para abandonar a vida de prostituição. Passado o curso que fez por meio do ViraVida, a menina disse ter sofrido dificuldade em ter relações afetivas. “Às vezes, eu tenho vergonha de chegar até um amigo para conversar porque eu tenho medo. Eu me imagino conversando com algum homem e ele pensando nas coisas que eu fiz”.


A sexóloga Laura Muller explica que a vergonha em ter novos relacionamentos é normal para pessoas que foram abusadas ou exploradas sexualmente. “Cada pessoa é única e reage de forma diferente, mas, certamente, vai ficar essa ferida. A pessoa vai precisar de apoio psicológico. A vítima pode sair dessa e viver relacionamentos mais saudáveis, mais bacanas”, disse Laura Muller.


A especialista recomenda aos pais que conversem com os filhos sobre sexo. “O principal é começar a educar a criança para que ela possa entender que o corpo é dela e que ninguém pode fazer brincadeira sexuais ou tocar em partes íntimas”. Para a sexóloga, conversar sobre sexo com a criança e o adolescente não vai estimular uma sexualidade precoce. Pelo contrário, vai justamente prevenir o abuso e ajudar a torná-los mais responsáveis e conscientes sobre sua sexualidade.


B* considera uma lição de vida a fase que viveu antes de entrar no ViraVida. “Quero poder passar para todas essas crianças que estão em situação de vulnerabilidade que há oportunidades e que elas não estão abandonadas”.


Jornal Midiamax