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Investigado na Porto Seguro, vice dos Correios pede afastamento

O vice-presidente Jurídico dos Correios, Jefferson Guedes, solicitou nesta segunda-feira afastamento temporário de seu cargo na empresa durante 15 dias. De acordo com comunicado oficial divulgado pela assessoria de imprensa, o motivo é o levantamento de processos com participação da empresa LM Negócios Inteligentes que será feito por auditoria determinada pela presidência da ECT...

Arquivo Publicado em 04/12/2012, às 00h47

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O vice-presidente Jurídico dos Correios, Jefferson Guedes, solicitou nesta segunda-feira afastamento temporário de seu cargo na empresa durante 15 dias. De acordo com comunicado oficial divulgado pela assessoria de imprensa, o motivo é o levantamento de processos com participação da empresa LM Negócios Inteligentes que será feito por auditoria determinada pela presidência da ECT.

Jefferson Guedes foi investigado pela Polícia Federal (PF) durante a operação Porto Seguro. Um relatório da polícia diz que o então diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira, teria tentado subornar o vice-presidente Jurídico para beneficiar em licitações a empresa LM Negócios Inteligentes. Guedes chegou a receber o dono da empresa, Lucas Henrique Batista. Em ofício à Justiça Federal, a PF pede a “condução coercitiva” de Guedes para prestar depoimento.

No comunicado oficial, o vice-presidente destacou que a LM participou de três concorrências nos Correios e foi inabilitada ou desclassificada em todas, não tendo nenhum contrato firmado com a ECT. Guedes reiterou que mesmo não tendo sido convocado ou intimado, sempre esteve à disposição da Polícia Federal para esclarecer os fatos, conforme relatou em ofícios enviados à PF.

Em 2008, Guedes chegou a ser procurador-geral da União, na gestão do hoje ministro do Supremo Tribunal Federal José Antonio Dias Tofolli. Depois de dez meses no cargo, pediu demissão ao ser acusado de formação de quadrilha pela PF e pelo Ministério Público Federal em outra operação, a Perseu, que desbaratou uma rede de corrupção e fraudes ligando funcionários do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Em 2011, ingressou no comando dos Correios.

Operação Porto Seguro

Deflagrada no dia 23 de novembro pela Polícia Federal (PF), a operação Porto Seguro realizou buscas em órgãos federais no Estado de São Paulo e em Brasília para desarticular uma organização criminosa que agia para conseguir pareceres técnicos fraudulentos com o objetivo de beneficiar interesses privados. A suspeita é de que o grupo, composto por servidores públicos e agentes privados, cooptava servidores de órgãos públicos também para acelerar a tramitação de procedimentos.

Na ação, foram presos os irmãos e diretores Paulo Rodrigues Vieira, da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Além das empresas estatais em Brasília, como a Anac, a ANA e os Correios, foram realizadas buscas no escritório regional da Presidência em São Paulo, cuja então chefe, Rosemary Nóvoa de Noronha, também foi indiciada por fazer parte do grupo criminoso. O advogado-geral adjunto da União, José Weber de Holanda Alves, também foi indiciado durante a ação.

Exonerada logo após as buscas, Rosemary ela teria recebido diversos artigos como propina. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, em troca do tráfico de influência que fazia, ela chegou a ganhar um cruzeiro com a dupla sertaneja Bruno e Marrone, cirurgia plástica e um camarote no Carnaval do Rio de Janeiro.

O inquérito que culminou na ação foi iniciado em março de 2011, quando, arrependido, Cyonil da Cunha Borges de Faria Jr., auditor do Tribunal de Contas da União (TCU), procurou a PF dizendo ter aceitado R$ 300 mil para fazer um relatório favorável à Tecondi, empresa de contêineres que opera em Santos (SP). O dinheiro teria sido oferecido por Paulo Rodrigues Vieira entre 2009 e 2010. Vieira é apontado pela PF como o principal articulador do esquema. Na época, ele era ouvidor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e conselheiro fiscal da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Em decorrência da operação, foram afastados de seus cargos o inventariante da extinta Rede Ferroviária Federal S.A., José Francisco da Silva Cruz, o ouvidor da Antaq, Jailson Santos Soares, e o chefe de gabinete da autarquia, Enio Soares Dias. Também foi exonerada de seu cargo Mirelle Nóvoa de Noronha, assessora técnica da Diretoria de Infraestrutura Aeroportuária da Anac. O desligamento ocorreu a pedido da própria Mirelle, que é filha de Rosemary.

Jornal Midiamax