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Financiamento imobiliário fica à margem de onda de queda de juros

As sucessivas quedas da taxa básica de juros (Selic) fizeram com que os principais bancos do País diminuíssem as taxas de diversas modalidades de créditos como cheque especial, financiamentos de veículos e rotativo de cartão de crédito. Mas quem está pagando a casa própria não precisa achar que os juros desse financiamento ficarão mais baixos. […]

Arquivo Publicado em 21/04/2012, às 11h21

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As sucessivas quedas da taxa básica de juros (Selic) fizeram com que os principais bancos do País diminuíssem as taxas de diversas modalidades de créditos como cheque especial, financiamentos de veículos e rotativo de cartão de crédito. Mas quem está pagando a casa própria não precisa achar que os juros desse financiamento ficarão mais baixos. Segundo analistas, a Selic não impacta diretamente essa transação uma vez que o dinheiro usado nesse financiamento vem da poupança e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e já tem taxas mais baixas.


De acordo com informações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), as principais fontes de recursos utilizados no financiamento imobiliário são os depósitos de poupança e o capital recolhido mensalmente pelos empregadores em nome dos empregados por meio do FGTS.


Segundo o professor da escola de negócios da Universidade Anhembi Morumbi, José Carlos Polidoro, a poupança paga uma taxa de juros de 6% ao ano acrescida da Taxa Referencial (TR) definida pelo BC (que geralmente é menor que 1%) enquanto o FGTS tem uma taxa fixa de 3% ao ano mais TR. Após a última queda, a sexta consecutiva, na quarta-feira, a Selic passou de 9,75% para 9% ano ano. Em agosto de 2011, a taxa chegava a 12,5%.


“O financiamento de imóveis no Brasil é muito criterioso e representa um risco muito baixo para os bancos, que por isso podem praticar juros mais baixos. Aliado a isso está o fato dos recursos virem de aplicações seguras como a poupança e o FGTS, no caso da Caixa Econômica Federal, o que faz com que esse investimento tenha juros legais, que são definidos na legislação federal”, conta o professor. “Mesmo que a Selic continue caindo não há um efeito direto para as pessoas que pagam financiamentos, pois eles já são mais baratos, até pela natureza do contrato e pela segurança. Caso a pessoa não consiga pagar o financiamento, o banco pode retomar o imóvel, o que tira o risco do negócio”, diz o analista econômico José Goes. “A queda da Selic é importante para outros tipos de empréstimos, que ficam mais baratos, como taxas do comércio e para compras de carros”, completa.


O professor de macroeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rogério Mori, confirma e diz ainda que a taxa Selic é usada para definir os juros das transações entre os bancos. “A Selic é voltada ao mercado de reservas bancárias e como a maior parte dos recursos de financiamentos vem da poupança, infelizmente não há repasse da queda para os clientes de financiamentos (imobiliários), que já tem um custo inferior ao da Selic”, completa.


Entenda


– A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) órgão do Banco Central (BC).


– Na última reunião, realizada na quarta-feira, o Copom abaixou a Selic de 9,75% para 9%.


A Selic serve como referência para as outras taxas existentes na economia, mas a sua queda não implica em redução dos juros dos financiamentos imobiliários porque o dinheiro para os financiamentos vem, majoritariamente, da poupança e do FGTS A poupança e o FGTS já tem taxas menores que a Selic; a poupança paga juros de 6% ao ano e o FGTS de 3%

Jornal Midiamax