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Falta de efetivo e aparelhos detectores expõem fragilidade das unidades prisionais de MS

No complexo penitenciário localizado no Jardim Noroeste, quase todas as torres (foto) estão sem policiais militares. Outra queixa dos agentes penitenciários é sobre inexistência de banquetas, raios-X e bloqueadores para barrar entrada de produtos proibidos.

Arquivo Publicado em 24/07/2012, às 20h40

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No complexo penitenciário localizado no Jardim Noroeste, quase todas as torres (foto) estão sem policiais militares. Outra queixa dos agentes penitenciários é sobre inexistência de banquetas, raios-X e bloqueadores para barrar entrada de produtos proibidos.

Na manhã do dia 18 de julho, por volta das 7h40, o ex-policial militar Adair José Belo, 42, e o ex-policial civil José Pires, 60 anos, fugiram do Centro de Triagem, localizado no Jardim Noroeste, em Campo Grande, serrando grades e fazendo uso de uma corda de tecido (teresa). A fuga é exemplo que mostra a fragilidade do sistema prisional de Mato Grosso do Sul. Para se ter uma ideia do problema, apenas uma unidade possui bloqueadores de celulares e só na cidade de Dourados está em funcionamento sistema de raios-X para barrar telefones móveis, drogas e outros produtos proibidos.

A cela que comportava os ex-policiais e outros 19 presidiários, entre policiais civis, militares e agentes penitenciários, está em funcionamento há três anos, porém foi criada como provisória para abrigar agentes presos por favorecimento real para presos da antiga colônia penal agrícola.

A cela ‘especial’ tem apenas uma grade de ferro para separar os presos do chão e o telhado de Eternit. Um de seus ‘hospedes’, é Sérgio Roberto de Carvalho, o Major Carvalho. No dia da fuga, não havia policiais militares na torre, o que facilitou a ação de Belo e José Pires. Os dois ainda não foram recapturados.

O caso da fuga dos ex-policiais é a ilustração de um problema bem maior, conforme o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Francisco Sanábria. De acordo com ele, atualmente existem aproximadamente 11 mil na condição de presos dos regimes fechado e semiaberto que estão sob a responsabilidade de apenas 1.340 agentes que trabalham em regime de escala. “Precisaríamos de mais 1.200 para ter um trabalho mais ou menos digno”, diz.

Sanábria revela que atualmente são 35 agentes penitenciários afastados por problemas de saúde, sendo que 90% destes são por problemas psiquiátricos devido à pressão que sofrem da massa carcerária durante o expediente. ‘Somos muito bem preparados no curso para lidar com este tipo de situação, mas a rotina é desgastante pelo número de trabalhadores que temos. ”

Apenas o presídio de Três Lagoas possui bloqueadores para celulares. A falta de sistema biométrico para cadastrar os presos quando entram nas unidades, praticamente inexistência de policiais militares nas torres, falta de banqueta para visitantes femininas serem vistoriadas, aparelhos de raios-X para observar pertences levados em dia de visitas (o único que tem funcionando é em Dourados), são fatores que dificultam o trabalho dos agentes.

Ameaças

O presidente do sindicato afirma que muitos agentes penitenciários relatam casos de ameaças por parte de presidiários, porém, na sua visão, não é motivo para favorecimentos nas unidades do tipo ‘vistas grossas’. “Já no curso de formação somos muito bem treinados em relação a isto. Existem várias formas de se barrar uma ameaça como transferir o preso, por exemplo”, diz.

Normalmente ameaças partem de presos para agentes quando o acontece o que eles chamam de ‘geral nas celas’ e são encontrados celulares ou droga, por exemplo. Um exemplo que Sanábria dá é do agente penitenciário Hudson Moura da Silva, que foi morto a tiros enquanto trabalhava no Estabelecimento Penal de Regime Aberto e Casa do Albergado (Epraca), localizado na Vila Sobrinho. De acordo com o que apurou a delegacia Especializada de Homicídio, ele foi morto por ter flagrado celulares e drogas na unidade.

Em relação à possibilidade de agentes penitenciários facilitarem a entrada de produtos nas unidades prisionais por sofrerem pressão dos apenados, Sanábria diz que “só faz isto quem é safado” reforçando que outros métodos podem ser tomados como pedido de transferência.

Uniformes

De acordo com Sanábria, os agentes penitenciários estão comprados seus próprios uniformes, já que a última entrega feita foi em 2003. Nove anos depois a solução é comprar com recursos próprios. Colete, calça e bota custam aproximadamente R$ 300. Já o salário bruto em início de carreira é de R$ 2.100.

Jornal Midiamax