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Ex-mordomo do Papa é condenado a um ano e seis meses de prisão

O ex-mordomo do Papa, Paolo Gabriele, 46 anos, foi condenado neste sábado pelo Tribunal do Estado do Vaticano a um ano e seis meses de prisão pelo roubo com agravantes de documentos reservados de Bento XVI. A sentença foi lida pelo presidente do tribunal, Giuseppe della Torre, após duas horas de deliberações. O presidente do […]

Arquivo Publicado em 06/10/2012, às 11h47

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O ex-mordomo do Papa, Paolo Gabriele, 46 anos, foi condenado neste sábado pelo Tribunal do Estado do Vaticano a um ano e seis meses de prisão pelo roubo com agravantes de documentos reservados de Bento XVI. A sentença foi lida pelo presidente do tribunal, Giuseppe della Torre, após duas horas de deliberações.


O presidente do tribunal disse que Gabriele foi condenado a três anos de reclusão, mas que a sentença foi reduzida a 18 meses devido aos atenuantes. Além disso, o ex-mordomo terá que pagar os custos do julgamento.


Gabriele escutou a sentença de maneira impassível, sem expressar sentimento algum. O ex-mordomo, que por enquanto voltou para sua casa, onde está em prisão domiciliar, teve a última palavra na audiência de hoje. “A única coisa que sinto muito forte dentro de mim é a convicção de ter atuado por exclusivo amor, diria visceral, pela Igreja de Cristo e por seu chefe visível (o Papa). Repito, não me sinto um ladrão pelo que fiz”, disse.


Durante o julgamento, Gabriele disse que era “inocente” do roubo, mas afirmou se sentir “culpado” por “trair” o Papa. “Em relação ao roubo agravado, declaro-me inocente. Sinto-me culpado por ter traído a confiança do Santo Padre”, declarou Paolo Gabriele, que também alegou ter agido “sem cúmplices”, embora tivesse muitos “contatos”. Gabriele também disse ter agido deste modo porque o papa Bento XVI foi “manipulado”.


Sua advogada afirmou que ainda precisava ler a sentença para determinar se ela foi equilibrada, e que só depois disso decidiria se o ex-mordomo vai recorrer da decisão. O Papa, como chefe do Vaticano, pode exercer a qualquer momento sua prerrogativa de perdoar Gabriele.


Os atenuantes apontados pelo tribunal foram o fato de Gabriele não ter antecedentes criminais, o trabalho realizado para o Vaticano (era ajudante do papa há seis anos) e o ter reconhecido que tinha traído a confiança depositada nele pelo pontífice.


O escândalo do vazamento de documentos do papa e da Santa Sé, conhecido como Vatileak, veio à tona no início desse ano, quando uma televisão italiana revelou cartas enviadas a Bento XVI pelo anúncio nos EUA, o arcebispo Carlo Maria Viganó, nas quais ele denunciava a “corrupção, prevaricação e má gestão” na administração do Vaticano.


Em 19 de maio foi publicado um livro com uma centena de novos documentos secretos do Vaticano que revelam supostas tramas e intrigas no pequeno Estado, e no dia 24 de maio Gabriele foi detido. Claudio Sciarpelletti, 48 anos, acusado de suposto encobrimento dos roubos, foi preso um dia depois. Ainda não foram definidas as datas do seu julgamento. Ele pode ser condenado a até um ano de prisão.

Jornal Midiamax