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‘Ele tinha 140 faltas na escola’, diz pai de Maikon, que morreu soterrado no lixão

“Precisamos saber se a criança estava brincando ou se estava trabalhando para os pais, ou até mesmo para terceiros (para outras pessoas)”, informou Jairo Carlos Mendes, delegado responsável pelas investigações.

Arquivo Publicado em 09/01/2012, às 21h20

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“Precisamos saber se a criança estava brincando ou se estava trabalhando para os pais, ou até mesmo para terceiros (para outras pessoas)”, informou Jairo Carlos Mendes, delegado responsável pelas investigações.

A Polícia Civil ouviu na tarde desta segunda-feira (9), os pais de Maikon Correia Andrade, de 9 anos, que morreu soterrado no lixão de Campo Grande, no dia 29 de dezembro de 2011. “Precisamos saber se a criança estava brincando ou se estava trabalhando para os pais, ou até mesmo para terceiros (para outras pessoas)”, informou Jairo Carlos Mendes, delegado responsável pelas investigações.

A mãe, Lucilene Correa, de 31 anos, chegou acompanhada do advogado e não falou com a imprensa. Apenas o advogado conversou com os repórteres. “Naquele dia, o menino disse para a mãe que ia brincar, mas não falou aonde ia”, comentou Antonio Mourão, logo após o depoimento da cliente. Ele afirmou ainda que Lucilene não sabia que o filho costumava ir ao lixão da cidade.

Separado de Lucilene, o pai, Reginaldo Pereira de Andrade, 33 anos, segundo a polícia, disse que ouviu de alguns recicladores que atuam no lixão que já viram os dois meninos (Maikon e o amigo) em duas ou três ocasiões por ali onde ocorreu a tragédia.

Um ponto que chamou a atenção da polícia foi o questionamento em relação ao desempenho e à presença do menino na escola. “A mãe disse que ele era um bom aluno, que deveria passar de ano tranquilamente. Mas já o pai comentou que, lá da escola, disseram que Maikon teve ‘140 faltas’ durante o ano passado”, continuou o delegado.

Como parte do trabalho, a polícia investiga também quais as reais profissões dos pais de Maikon. A mãe revelou, durante o depoimento de hoje, que trabalha como ‘salgadeira’. “Interroguei então quem eram os clientes dela, disse que entregava os salgados para uma tal de Vera e o restante o pessoal comprava com ela. Já o pai, falou que é pedreiro”.

A investigação continua

“A investigação está apenas no começo, devemos ouvir muita gente ainda, como essa pessoa com nome de Vera e a diretora da escola onde Maikon estudava”, afirmou o delegado.

A polícia tem o prazo médio de 30 dias para concluir o inquérito. “Obviamente demos um tempo aos pais, que estavam muito abalados, mas agora vamos interrogar muito mais gente ainda”.

Como chovia muito na época do acidente que causou a morte do menino, Jair Mendes, da 5ª Delegacia (a Depac Piratininga) vai avaliar se há necessidade de pedir uma nova perícia complementar sobre a situação do lixão. “Tudo deverá ser investigado, desde a entrada de pessoas naquela área até as condições do lixão, entre outras circunstâncias. Depois, o Poder Judiciário vai avaliar os dados”.

Para isso, a polícia deve intimar ainda na tarde de hoje (9) mais trabalhadores do lixão.

Jornal Midiamax