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Delegada vai intimar avó paterna de menina de nove anos agredida pelo pai

A avó da menina terá de falar sobre o temperamento do filho, segundo a delegada da Depca, responsável pelo caso

Arquivo Publicado em 18/04/2012, às 19h34

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A avó da menina terá de falar sobre o temperamento do filho, segundo a delegada da Depca, responsável pelo caso

A menina de nove anos, que foi agredida pelo pai, um homem de 29 anos, na sexta-feira (13), na residência onde morava no bairro Mário Covas, em Campo Grande, já saiu do abrigo em que estava e está sob a responsabilidade da avó paterna.

Segundo a delegada Regina Márcia de Brito, responsável pelo caso, ela será intimada a comparecer na Depca (Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente), para relatar sobre o temperamento do filho.

“Vamos intimá-la provavelmente esta semana ou até o início da outra”, disse a delegada.

Vizinhos

No bairro Mário Covas, em opinião quase unânime, os moradores se dizem revoltados com a liberdade do homem, conseguida através de um habeas corpus, emitido pelo TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), na noite de terça-feira (17).


Um vizinho, que prefere não se identificar, conta que mora no local há nove anos e a família do homem está no local a cinco. “Estamos cansados de escutar gritos da casa deles. Todos os dias, sem motivos ele agredia as filhas e, às vezes, até a mulher. Ele trabalhava só durante a manhã e cuidava delas durante a tarde”, disse o vizinho.


Com relação à menina de nove anos, o vizinho conta que ela permanecia a maioria do tempo em casa. “Quando chegava da escola, era raro o dia em que ela saia para brincar na rua. As outras meninas da casa é que brincavam mais com os vizinhos da frente”, contou o morador.


Outra moradora do bairro, que também pede para não ser identificada, diz que a revolta é geral e todos comentam sobre o caso. “Onde já se viu uma atitude dessas? Ainda bem que este homem nem aparece mais por aqui, porque se vier todos vão querer meter a mão nele”, desabafa a moradora.


Ainda no aguardo do inquérito policial, o Promotor de Justiça da Infância e Adolescência, Sérgio Fernando Harfouche, é quem irá realizar a acusação. “Acredito que pelo homem ser réu primário e a criança ser retirada do seu alcance, ele tenha sido solto. Mas alterações feitas na lei, para penas menores de quatro anos ajudam. E, se até quem mata fica solto, quem dirá quem é réu primário”, argumentou o promotor.


Caso


A criança teria danificado um ímã de geladeira e com isso a madrasta avisou o pai, que agrediu a filha na varanda da frente da residência.


Nas filmagens, ela aparece sofrendo golpes nas pernas, nádegas e até na cabeça. Ele foi preso em flagrante e no momento em que a Polícia Civil chegou a casa, a menina estava de castigo, no quarto.


O pai, que já tem passagem por violência doméstica e a madrasta, responderão por lesão corporal dolosa e maus tratos.

A casa onde a família mora está fechada.

Jornal Midiamax