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Delcídio recebeu R$ 50 mil do mensalão mineiro, diz revista Carta Capital

O nome do senador aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha, entregue na última quinta-feira à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais

Arquivo Publicado em 31/07/2012, às 14h51

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O nome do senador aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha, entregue na última quinta-feira à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais

Reportagem de capa da edição deste fim de semana da revista Carta Capital inclui o senador Delcídio do Amaral (PT) na lista de beneficiários do mensalão mineiro, esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao Governo de Minas Gerais em 1998 e, que mais tarde, serviria de modelo ao PT. Segundo a revista, “o petista, ex-presidente da CPI dos Correios, teria embolsado R$ 50 mil”.


O nome do senador sul-mato-grossense aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha, entregue na última quinta-feira (26) à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Na documentação, assinada e registrada em cartório, o valor gasto na campanha chega a R$ 104,3 milhões, quantia bem superior aos R$ 8 milhões declarados por Azeredo como despesas de campanha.


A lista, de acordo com a Carta Capital, está metodicamente organizada. Sob o enunciado “Relatório de movimentação financeira da campanha à reeleição do governador Eduardo Brandão Azeredo”, são perfilados em ordem alfabética doadores de campanha e os beneficiários dos recursos. Segundo a reportagem, são quase 30 páginas, escoradas em cerca de 20 comprovantes de depósitos que confirmam boa parte das movimentações financeiras.


Os repasses teriam sido feitos por meio do Banco de Crédito Nacional (BCN) e do Banco Rural, cujos dirigentes são réus do “mensalão” petista. Além de Delcídio, entre doadores e receptores, aparece o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, governadores, deputados, senadores, prefeitos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).


Os pagamentos, conforme a reportagem, foram feitos pelo SMP&B Comunicação, empresa do ecumênico Marcos Valério de Souza. Todas as páginas são rubricadas pelo publicitário mineiro, com assinatura reconhecida em cartório no final do documento datado de 28 de março de 1999.


Nota de defesa


Por meio de nota, publicada no site dos senadores do PT, Delcídio desmentiu a matéria. Ele ressaltou que no período citado na reportagem, em 1998, não exercia qualquer atividade política, e afirma que, se a lista fosse verdadeira, teria sido alvo de investigação da CPI dos Correios, a qual presidiu. Delcídio lembrou ainda que a matéria já foi desmentida, inclusive, pelo próprio Marcos Valério.


“É estranho – ou talvez não – que a reportagem seja publicada justamente às vésperas do julgamento do ‘mensalão’ pelo Supremo Tribunal Federal, o que, para mim, demonstra o inequívoco propósito diversionista de suas intenções, subestimando a inteligência do povo brasileiro”, disse o senador sul-mato-grossense.


Na próxima quinta-feira (2), o STF começa o julgamento do ex-ministro José Dirceu e de outros 37 réus no processo chamado mensalão petista, supostamente desenvolvido no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O processo do valerioduto mineiro, por sua vez, está no Supremo sob a guarda do relator Joaquim Barbosa.


Ainda via nota, Delcídio informou estar “tomando as providências jurídicas que o caso requer, não só em relação aos autores dos ‘documentos’ e também à revista, mas, eventualmente, às suas indevidas repercussões”.

Jornal Midiamax