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Contrabandista Polaco deixa presídio de Segurança Máxima

Alcides Grenjanin ficou 97 dias detido, após operação Alvorada Voraz, que o identificou como chefe de quadrilha de contrabando de cigarros

Arquivo Publicado em 01/03/2012, às 19h25

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Alcides Grenjanin ficou 97 dias detido, após operação Alvorada Voraz, que o identificou como chefe de quadrilha de contrabando de cigarros

Sem conversar com a imprensa, Alcides Carlos Greijanin, mais conhecido como Polaco, saiu pontualmente às 15h do Presídio de Segurança Máxima, nesta quinta-feira (1), na Capital. “Hoje eu não tenho nada a declarar, só quero ir embora para casa”, disse ele.

Os advogados peregrinaram de Brasília a Campo Grande, desde o início desta semana para conseguir o habeas corpus do acusado, que esteve preso por 97 dias, após a operação Alvorada Voraz, em que ele foi apontado como um dos maiores contrabandistas de cigarro do País.


“Esperamos 72 horas para a soltura de Alcides. Levamos pessoalmente uma liminar ao ministro João Reis Júnior, alegando que não seria competência de um juiz da Auditoria Militar decretar a prisão de um civil, como foi feito com ele no dia 23 de novembro. O pedido foi aceito na terça-feira, às 19h45 e, na quarta-feira pela manhã um telegrama do STJ (Superior Tribunal de Justiça) já estava no TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). A partir daí estávamos desde ontem aguardando a liberação do Alcides”, explica o advogado Samuel Pimentel.


De acordo com o outro advogado, que o representa na Capital, Benedito de Figueiredo, foi questionado também no STJ a permanência de 81 dias de Alcides na prisão, sem ao menos uma denúncia formal. “Ele não teve audiência, instrução de provas, perícia e muito menos uma ação correndo na justiça neste momento para ser mantido preso”, alega o advogado.


Anterior ao pedido de habeas corpus, dois dos cinco advogados da vítima disseram que eles já movimentavam um pedido de soltura, para tratamento médico. “Há um mês obtivemos o diagnóstico de que ele está com um princípio de câncer”, afirma o advogado Pimentel. Pouco antes da saída de Alcides, o advogado disse que ele estava debilitado e um pouco desorientado. “Quando me viu perguntou até que dia era”, afirma o advogado Figueiredo.


Ansiosos para rever o pai, Débora e Ires Carlos Greijanin o aguardavam na saída do presídio. “Só queremos levá-lo para Eldorado (cidade distante a 440 quilômetros da Capital), para que ele possa descansar e depois conversa com a imprensa”, disse Ires, mais conhecido como Irão.


“Alvorada Voraz”


Na operação em que Alcides foi preso, em outubro de 2010, 200 profissionais do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), PRF (Polícia Rodoviária Federal), comando da PM (Polícia Militar) e Nurep (Núcleo de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal) realizaram apreensões de dezenas de carretas de cigarros em Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que resultaram em 7,5 milhões de maços apreendidos e um prejuízo em torno de 20 milhões de reais para o grupo criminoso.


Com relação às fazendas de Alcides, o advogado afirmou que as propriedades continuam em poder da Justiça Federal. Ele não afirmou ao certo o número de propriedades que o acusado possui, sendo que uma delas é avaliada em R$ 20 milhões. Alcides responde criminalmente por crimes de contrabando de cigarro e lavagem de dinheiro.

Jornal Midiamax