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Construtora abandona tonéis de piche na BR-262 e provoca danos ambientais

Estruturas com piche foram abandonadas por construtora que recebeu verba milionária de recapeamento de rodovia. Animais silvestres estão morrendo grudados no material.

Arquivo Publicado em 05/12/2012, às 10h49

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Estruturas com piche foram abandonadas por construtora que recebeu verba milionária de recapeamento de rodovia. Animais silvestres estão morrendo grudados no material.

Empresa que fez obras de recapeamento da BR-262, na região do município de Miranda, deixou vários tonéis abandonados com piche nas proximidades da rodovia. Com o calor, o material derrete e fica grudento ao ponto de animais silvestres como jacarés e lagartos ficarem colados e sem chance de escapar morrem.

Além de provocar a mortandade de animais silvestres do meio terrestre, o piche que escorre dos tonéis e de uma espécie de reservatório também abandonado, já está chegando as lagoas que ficam próximas. A preocupação é ainda maior no caso de cheias, já que existe a posibilidades das águas chegarem até a região pantaneira.

O caso foi denunciado pelo caminhoneiro Ercí Caxias, que passa constantemente pelo local e também por moradores da região. Eles documentaram em fotos cenas de animais mortos grudados no piche amolecido. Os flagrantes mais recentes foram de um lagarto que ainda tentava lutar contra o material altamente adesivo, mas morreu. Aranhas caranguejeiras, filhotes de jacaré e até pássaros estão morrendo no local.

A reportagem obteve a informação que a construtora que abandonou o material, a Aro, é a mesma denunciada em matéria do Midiamax intitulada “Abandonado por empreiteira que recebeu R$ 93,5 mi, trecho da BR-262 oferece perigo”, em sete de maio desse ano. Leia matéria completa aqui.

De acordo com o subcomandante da Polícia militar Ambiental de Mato Grosso do sul (PMA), major Cesar Freitas Duarte, há dois meses a Aro foi multada em R$ 50 mil pelo abandono do material. Agora o problema agravou com o vazamento e um novo levantamento da área está sendo feito.

Equipes da PMA, Defesa Civil, o Instituto de Meio Ambiente de MS (Imasul) estão fazendo um levantamento da área atingida, desde as primeiras horas da manhã dessa quarta-feira. O objetivo é saber os impactos ambientais que o material abandonado pelo Aro está provocando no local.

Com o agravamento da situação será feita uma nova notificação, desta vez também para o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), já que o órgão é o responsável pela licitação e manutenção da rodovia e foi quem contratou a Construtora Aro. Posteriormente, será encaminhada denúncia ao Ministério Público Estadual (MPE). “se a construtora não retirar o material, o Dnit vai retirar”, disse o major Freitas.

Há informação que a Aro faliu, mas mesmo assim a massa falida será notificada da situação do piche provocando danos ambientais.

Piche

O piche é o resíduo da destilação de alcatrão ou de petróleo. Em sua forma natural, é chamado asfalto. O piche é altamente adesivo e repelente à água. É utilizado para impermeabilizar pisos e coberturas, pavimentar estradas e em aplicações à prova de água. É usado também na fabricação de elétrodos de carbono para células eletrolíticas que produzem alumínio.

Jornal Midiamax