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Chefiado por irmão de Demóstenes, MP-GO nega favores a Cachoeira

O Ministério Público de Goiás (MP-GO), em nota assinada pelo procurador-geral da Justiça do Estado, Benedito Torres – irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) -, demonstrou neste sábado “indignação” e “repúdio” diante de reportagem do jornal Correio Braziliense que aponta que telefonemas interceptados pela Polícia Federal mostram o senador prometendo favores do MP-GO ...

Arquivo Publicado em 15/04/2012, às 00h47

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O Ministério Público de Goiás (MP-GO), em nota assinada pelo procurador-geral da Justiça do Estado, Benedito Torres – irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) -, demonstrou neste sábado “indignação” e “repúdio” diante de reportagem do jornal Correio Braziliense que aponta que telefonemas interceptados pela Polícia Federal mostram o senador prometendo favores do MP-GO ao contraventor Carlinhos Cachoeira.

O procurador-geral e os subprocuradores afirmam que o jornal “desprezou fatos e provas” e que a Justiça de Goiás “não aceita ter seu nome manchado por diálogos desautorizados e proferidos de forma irresponsável pelo senador Demóstenes Torres”. “É de se lamentar que a reportagem tenha omitido que as investigações que resultaram na Operação Monte Carlo tiveram início no MP-GO”, diz a nota.

Na manifestação, o MP-GO reproduz resposta enviada ao jornal na qual busca demonstrar que agiu de forma “à pretensão manifestada por Carlos Cachoeira em reunião realizada com vereadores de Goiânia em agosto de 2011”. Na reunião, Cachoeira teria pedido intervenção política nas reformas do Parque Mutirama.

Outro pedido de Cachoeira apontado na reportagem seria a manutenção de uma promotora de Justiça na comarca de Catalão, o que o MP-GO atesta não ter sido cumprido. “Além disso, destaca-se que jamais o PGJ (Procurador-Geral da Justiça) recebeu qualquer pedido, formal ou não, para manutenção da promotora na comarca citada inicialmente, assim como jamais aceitaria esta ou qualquer outra ingerência do gênero”, diz o MP-GO.

Em relação à denúncia de que uma empresa recebeu doação irregular de terreno em Anápolis, o MP-GO diz ter sido aberto procedimento que concluiu pela licitude da aquisição da área. “Ou seja, mais uma vez, a suposta pretensão relatada nas interceptações citadas pelo jornal teve conclusão diametralmente oposta na conclusão da investigação do MP-GO.”

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira

Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para “acompanhar a evolução dos fatos”. No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um “negócio” milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda.

Jornal Midiamax